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MADRID, 27 jun. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Elar Bolaños Llanos, apresentou sua renúncia após denunciar a manipulação de seus equipamentos de informática e a alteração de documentos relacionados a solicitações no Sistema de Gestão Documental.
“Há fatores graves relacionados à manipulação dos meus equipamentos de informática com informações que eu não gerei nem redigi”, afirmou ele em uma carta aberta que contém tanto sua renúncia quanto as graves acusações.
Bolaños alerta para o “fluxo constante de solicitações pelo Sistema de Gestão Documental, que foi violado e sofreu grave comprometimento de dados pessoais, o que prejudicou o processamento e a gestão adequados dessas solicitações”.
“Destaco a gravidade dos fatos relacionados a provas falsas que não têm relação com minha conduta e maneira de agir. Há muitos documentos com informações alteradas, que não foram geradas por mim. Coloco-me à disposição da justiça para as investigações cabíveis”, denunciou.
Ele adverte que essa situação coloca em “grave risco” a ONPE e a realização das eleições regionais e municipais previstas para outubro deste ano.
A invasão de seus equipamentos causou erros nos processos e dificuldades em seu andamento, fazendo com que não fossem respondidos em tempo hábil, explicou ele.
Bolaños ocupava o cargo de secretário-geral da ONPE há quase seis anos, desde 2 de setembro de 2020, tendo, portanto, ocupado o cargo durante as eleições presidenciais de 2021, as eleições regionais e municipais de 2022 e o primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais de 2026, que ainda não foram decididas.
A ONPE REJEITA AS ACUSAÇÕES
Diante dessa grave denúncia, a ONPE destacou que não aceita essa renúncia, mas considera encerrada sua nomeação. Héctor Martín Rojas Aliaga, gerente de Recursos Humanos da ONPE, assumirá a direção da organização até que seja nomeado um novo titular da Secretaria-Geral.
A resolução foi assinada pelo gerente geral da ONPE, Bernardo Pachas, que indica que a razão para não aceitar a renúncia está nos próprios motivos apresentados por Bolaños em sua carta de renúncia.
“Rejeitamos (a denúncia) totalmente em nome da ONPE. Fomos fiscalizados pela Controladoria em todos os processos de compra e aquisição. Não há um único processo de compra que não tenha sido rejeitado (...). Lamento o que ele escreveu”, afirmou o máximo responsável da ONPE em entrevista à emissora Exitosa.
Em um comunicado posterior, a ONPE destaca que a carta de Bolaños “apresenta uma série de acusações que não foram relatadas anteriormente”. “A Diretoria Nacional encaminhou o documento à Gerência de Recursos Humanos para que, por meio da Secretaria Técnica de Procedimentos Administrativos Disciplinares, avalie a adoção de medidas voltadas para o esclarecimento das alegações do ex-funcionário”, explicou.
Além disso, foi determinado que os equipamentos de informática atribuídos a Bolaños não sejam alterados, e os fatos foram levados ao conhecimento do Ministério Público para que este adote as medidas cabíveis.
“A ONPE lembra que o senhor Elar Bolaños, na qualidade de máxima autoridade na gestão administrativa, foi responsável pela aprovação, autorização e supervisão dos processos de contratação de bens, serviços e obras realizados pela entidade durante os processos eleitorais realizados neste ano”, conclui o texto.
A própria ONPE é responsável pela divulgação dos resultados oficiais das eleições e, no caso do segundo turno das eleições presidenciais peruanas realizadas no último dia 7 de junho, informou que 99,97% das cédulas foram apuradas e que a candidata da extrema direita, Keiko Fujimori, está na liderança com 50,132% dos votos, contra o candidato de esquerda, Roberto Sánchez, que obteve 49,86% dos votos.
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