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MADRID, 21 jul. (EUROPA PRESS) -
A organização não governamental Save the Children denunciou nesta terça-feira que mais de mil crianças palestinas foram obrigadas a abandonar suas casas devido ao aumento dos ataques perpetrados por colonos israelenses na Cisjordânia durante o primeiro semestre do ano, uma situação que causou “graves perturbações” à sua escolaridade, segurança e bem-estar.
A ONG indicou que o número representa metade do total de menores deslocados em decorrência desses incidentes nos três anos anteriores, quando foram registrados cerca de 2.000 crianças deslocadas por ataques de colonos, que incluem incêndios em residências, veículos e terras agrícolas, além de assaltos a escolas e ataques armados.
“O aumento dos ataques dos colonos israelenses não é nenhuma surpresa. O que é surpreendente é o silêncio da comunidade internacional enquanto milhares de meninos e meninas palestinos vivem com medo constante das forças israelenses e dos colonos, desprotegidos e sem meios para garantir sua segurança”, afirmou o diretor da Save the Children para o Oriente Médio, Norte da África e Europa Oriental, Ahmad Alhendawi.
“Esse ciclo de violência precisa acabar”, enfatizou ele, em meio a dados da Organização das Nações Unidas que revelam que os ataques por parte de colonos aumentaram 45% durante o primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, com mais de 1.020 incidentes desde janeiro, contra 757 no mesmo período de 2025.
A ONU também destacou que as forças israelenses participaram diretamente dos ataques, em um contexto em que também aumentou o número de feridos em decorrência dos assaltos perpetrados por colonos, bem como da violência física e das ameaças de violência — um dos fatores que impulsiona o deslocamento da população palestina na Cisjordânia.
“A comunidade internacional deve agir para garantir que as autoridades israelenses ponham fim à violência exercida pelos colonos, que os responsáveis prestem contas e que as pessoas afetadas recebam reparação integral”, explicou Alhendawi
Nesse sentido, ele argumentou que “os Estados também deveriam proibir o comércio, a cooperação econômica, a ajuda financeira e os serviços que mantenham ou apoiem os assentamentos israelenses ilegais no território palestino ocupado”. “Isso está em consonância com as obrigações estabelecidas pela Corte Internacional de Justiça em julho de 2024 e é imprescindível para proteger os direitos fundamentais das crianças palestinas”, concluiu.
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