A ativista manifesta a intenção de prosseguir a missão até a Palestina e teme uma possível sentença de morte para o hispano-palestino detido por Israel
SANTIAGO DE COMPOSTELA, 3 maio (EUROPA PRESS) -
“Nunca tinham chegado ao ponto de serem interceptadas a 1.100 quilômetros da Palestina ocupada”, denuncia a ativista Sandra Garrido, uma das sete pessoas que compõem a delegação galega da Global Summud Flotilla, que interrompeu sua travessia depois que Israel deteve cerca de 175 pessoas (entre as 1.000 participantes), embora a intenção seja retomá-la.
A maioria foi desembarcada na Grécia, onde o governo “pretendia deportá-las” — relata Garrido —, com exceção de dois: o hispano-palestino Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila. Ambos continuam detidos por Israel e permanecerão assim, pelo menos, até terça-feira. O governo espanhol, assim como a Flotilha, exigiu sua libertação diante do que consideram uma “detenção ilegal”.
“O objetivo da operação era acabar com a sociedade civil organizada”, denuncia Garrido à Europa Press. Isso aconteceu por volta das 6h da manhã de quinta-feira em águas internacionais, entre a Sicília (Itália) e Creta (Grécia), quando, “de repente, apareceram do nada três navios militares e um monte de lanchas”.
A ativista explica que nenhuma dessas embarcações aparecia nos radares ou nos aplicativos de navegação marítima. Aqueles que conseguiram escapar o fizeram porque avistaram os navios israelenses de “longe” e porque, para interceptar cada barco, “precisavam de duas ou três lanchas”. “O resto de nós não fomos sequestradas porque fugimos”, observa.
“Também não tenho certeza se eles queriam nos pegar todas. Eles queriam destruir todos os barcos, mas não nos capturar a todos”, explica, convencida de que “eles queriam acabar com a Flotilha” e que, para isso, concentraram seu objetivo nos líderes. “Eles acham que, atacando a liderança, acabam com um movimento civil, e isso não é verdade”, acrescenta.
Das 175 pessoas inicialmente sequestradas e depois desembarcadas na Grécia, algumas partiram por vontade própria e as que permanecem lá continuarão na missão. Assim que a tempestade passar, os barcos voltarão a zarpar para tentar abrir o corredor humanitário: “Vamos seguir em direção à Palestina. Primeiro faremos uma parada na Turquia e depois seguiremos para Gaza”.
“VIVEMOS COM MEDO DE UMA SENTENÇA DE MORTE PARA SAIF”
Garrido expressa a preocupação compartilhada entre os ativistas de que Israel possa impor uma sentença de morte a Abukeshek, baseando-se na lei aprovada recentemente para condenar palestinos acusados de atentados “terroristas” mortais. “Vivemos com medo de um possível pedido de pena de morte para Saif”, expõe.
Tanto ele quanto Thiago Ávila prestaram depoimento nesta manhã e permanecerão mais dois dias sob custódia das forças israelenses, conforme determinado por um tribunal de Ashkelon. A ONG Adalah, responsável pela assessoria jurídica dos ativistas, confirmou a prorrogação e argumentou perante o tribunal que todo o processo judicial “é fundamentalmente viciado e ilegal”.
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