A. Pérez Meca - Europa Press
Nessa ocasião, será o Rei que falará da tribuna da Assembleia Geral em nome da Espanha.
MADRID, 21 set. (EUROPA PRESS) -
O Presidente do Governo, Pedro Sánchez, viaja para Nova York com uma agenda que será marcada principalmente pela guerra em Gaza e pela defesa de uma solução de dois Estados, e também pela reivindicação do multilateralismo e de respostas progressistas aos grandes desafios que a comunidade internacional enfrenta neste momento.
Embora nesta ocasião seja o Rei Felipe VI quem falará em nome da Espanha na Assembleia Geral da ONU, Sánchez também viajará para lá para participar da inauguração na terça-feira e do discurso do monarca na quarta-feira.
Moncloa justifica o discurso do rei na tribuna da ONU nessa ocasião por ser o 80º aniversário de sua criação e o 70º aniversário da entrada da Espanha, e também porque o objetivo é demonstrar o compromisso da Espanha com o multilateralismo no mais alto nível em um momento em que ele está sendo questionado.
No entanto, o destaque da agenda do Primeiro-Ministro será a segunda-feira, com um evento duplo no qual ele oferecerá sua visão particular do mundo atual, por um lado, e seu firme compromisso com uma solução de dois Estados para resolver o conflito no Oriente Médio, por outro.
Sánchez está programado para dar uma palestra na Universidade de Columbia, seguida de uma sessão de perguntas e respostas com estudantes e uma reunião com espanhóis que estudam na universidade.
De acordo com fontes do governo, o presidente do governo quer usar essa ocasião para defender a ordem baseada em regras e as respostas progressivas aos grandes desafios que a Espanha enfrenta atualmente. De acordo com Moncloa, será um discurso muito político.
CONFERÊNCIA DE DOIS ESTADOS
A conferência sobre a solução de dois Estados será o outro grande evento do dia e, em grande parte, da viagem do Presidente. O evento, co-organizado pela França e pela Arábia Saudita, servirá a priori como um palco para o reconhecimento do Estado palestino por vários países, incluindo a França e o Reino Unido.
Moncloa não esconde sua satisfação pelo fato de outros países tão importantes quanto a França e o Reino Unido, mas também o Canadá e a Austrália, terem expressado sua vontade de reconhecer a Palestina durante a Assembleia Geral da ONU, seguindo assim o caminho traçado há um ano pela Espanha, Noruega, Irlanda e Eslovênia.
A reunião de Nova York foi prejudicada pela recusa dos Estados Unidos em conceder vistos à delegação da Autoridade Palestina, cujo presidente, Mahmoud Abbas, terá que falar por videoconferência.
Para o governo espanhol, o fato de essa conferência ser realizada em apoio à solução de dois Estados envia uma mensagem forte em um momento em que Israel está no meio de uma ofensiva para tomar a Cidade de Gaza e a possibilidade de um Estado palestino viável que inclua a Faixa, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental parece distante.
Além disso, após a controvérsia provocada pela descrição do primeiro-ministro das ações de Israel em Gaza como "genocídio" e as acusações de antissemitismo por parte do governo israelense, Moncloa quer deixar bem claro que a Espanha apoia a existência de um Estado israelense e defende que os países árabes que ainda não o reconhecem devem fazê-lo, assim como o Estado palestino deve ser reconhecido do outro lado.
ASSEMBLÉIA GERAL
A guerra em Gaza e também a guerra na Ucrânia certamente dominarão os discursos durante a Assembleia Geral, que começa oficialmente na terça-feira. Tanto o rei quanto Sánchez participarão da inauguração pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.
Depois dele, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomarão a palavra, como manda a tradição, um dos discursos mais aguardados desta edição, dadas as críticas que ele fez às Nações Unidas. Fontes do governo não descartam a possibilidade de que Sánchez permaneça na sala para ouvir o discurso do presidente dos EUA.
O discurso de Felipe VI no pódio da ONU ocorrerá na manhã de quarta-feira, com Sánchez também presente na sala. Essa será a quarta vez que o Rei discursará nesse fórum, depois de fazê-lo em 2014, 2015 e 2016, e a primeira vez que ele o faz desde que Sánchez está em Moncloa.
RESTANTE DA AGENDA
Como em outras viagens internacionais do presidente, sua agenda também incluirá uma seção econômica. Assim, logo na manhã de segunda-feira, ele deve se reunir com investidores e, na quarta-feira, participará de um evento organizado pela Câmara de Comércio Espanha-Estados Unidos.
O Moncloa garante que há um enorme interesse em entender a receita dos bons dados econômicos da Espanha e em investir em nosso país, e é por isso que o governo está aproveitando todas as oportunidades para explicar a situação e atrair investidores. Entre os contatos que Sánchez manterá está o CEO da Blackrock.
Por outro lado, Sánchez planeja participar da reunião na segunda-feira para marcar o 30º aniversário da Conferência de Pequim sobre as Mulheres e, na terça-feira, do evento da ONU Mulheres da iniciativa "He for She", como um exemplo da política externa feminista adotada pelo Executivo.
Da mesma forma, na quarta-feira, ela participará do evento "Em defesa da democracia, combatendo o extremismo", a iniciativa que lançou no ano passado junto com Lula e que este ano também está sendo patrocinada pelo presidente chileno, Gabriel Boric.
Também coincidirá com Lula no mesmo dia na cúpula climática que o líder brasileiro está co-organizando com Guterres e que servirá como preparação para a COP30 a ser realizada em novembro no Brasil.
Finalmente, na quinta-feira, ele participará do lançamento do diálogo global para a implementação da governança da Inteligência Artificial.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático