Ricardo Rubio - Europa Press - Arquivo
MADRID, 1 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von der Leyen, para lhe transmitir sua “séria preocupação” com a “reação recente” de “alguns governos europeus” após a crise migratória originada em Ceuta.
No documento, o chefe do Executivo classificou como “assimétrica” a resposta dada pelos demais Estados-membros e criticou o fato de haver quem tenha optado por “atacar a Espanha” e “solicitar sua exclusão temporária do Espaço Schengen”. Uma atitude, segundo ele, motivada por “preconceitos, notícias falsas, ignorância ou interesses políticos”.
Uma reação que não foi majoritária, segundo o chefe do Executivo, pois “a maioria” dos países europeus demonstrou seu “apoio” à Espanha após a entrada “inesperada” de 50 mil pessoas, das quais foi possível repatriar “praticamente todos os migrantes que cruzaram de forma irregular” e “evitar qualquer movimento posterior não autorizado em direção à Europa continental”.
Além disso, ele comunicou à presidente da Comissão Europeia que essa posição é contrária ao direito europeu, ao direito humanitário e aos “princípios de solidariedade” que “unem” os países da União, bem como aos “interesses de longo prazo da Europa e ao bom senso mais elementar”, pois Ceuta “não faz parte do Espaço Schengen”, “quase não restam migrantes irregulares por repatriar” e “a Espanha é, segundo a Frontex, uma das fronteiras externas menos porosas da União Europeia”.
REAÇÃO “ILEGAL” DA ITÁLIA
Nesse sentido, Sánchez destacou que o número de entradas irregulares pela fronteira sul da Espanha “é metade das registradas, por exemplo, na Itália” nos últimos cinco anos. E classificou a reação de alguns governos, como, precisamente, o italiano, de “egoísta”, “polarizadora” e “ilegal”, depois que a primeira-ministra, Giorgia Meloni, anunciou nesta sexta-feira o fechamento das fronteiras com a Espanha.
“Diante da gravidade da situação”, o presidente Sánchez solicitou à Presidência irlandesa do Conselho da União Europeia que convoque, com caráter de urgência, uma videoconferência extraordinária dos ministros do Interior para “estabelecer uma resposta comum a situações dessa natureza” e “reafirmar que a segurança de nossas fronteiras externas é uma responsabilidade compartilhada por todos os Estados-membros”.
DESTACA SUA POLÍTICA DE MIGRAÇÃO
E confiou a Von der Leyen a “liderança” para “garantir que a União Europeia responda de forma rápida, eficaz e coordenada” após uma coordenação com “as autoridades marroquinas” para restabelecer a situação em Ceuta, “ao mesmo tempo em que se deu continuidade à política migratória eficaz e solidária que a Espanha vem aplicando de forma coerente nos últimos anos”.
Uma política, ressaltou ele, que “permitiu reduzir drasticamente as chegadas irregulares” na Espanha e posicionou o país como “a segunda fronteira externa mais segura da UE”, além de permitir “ajudar outros Estados-Membros quando enfrentaram crises semelhantes”, como o acolhimento de migrantes que chegaram à Europa Oriental via “Lampedusa em 2023”, exemplificou Sánchez.
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