Recebe uma cátedra honorária na Academia Chinesa de Ciências e destaca a pesquisa conjunta em astronomia e agricultura
PEQUIM, 13 abr. (Por Daniel Blanco, correspondente especial da EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, visitou nesta segunda-feira a sede da empresa de tecnologia Xiaomi em Pequim, no primeiro dia de sua viagem oficial à China, e se reuniu com o CEO e fundador, Lei Jun, para tentar atrair novos investimentos.
Sánchez informou que a Espanha oferece um ecossistema industrial e logístico competitivo para “projetos de cooperação tecnológica” entre empresas chinesas e espanholas. O objetivo é explorar novos projetos possíveis de colaboração com a Xiaomi, que atualmente já trabalha com empresas espanholas nos setores automotivo e de manufatura avançada, segundo informações da Moncloa.
Sánchez destacou as capacidades tecnológicas, “o talento e a confiabilidade” do tecido industrial espanhol e o papel crescente do país como centro europeu de infraestruturas digitais, centros de dados e projetos de inteligência artificial.
Por sua vez, o fundador da Xiaomi parabenizou Sánchez pelo crescimento econômico da Espanha, que qualificou como “vertiginoso e muito positivo”, segundo informações do Governo. Anteriormente, Lei acompanhou o presidente e o restante da delegação espanhola em uma exposição dos produtos da empresa chinesa: os novos veículos elétricos, uma recriação de uma casa inteligente com sistemas domóticos e uma seção dedicada a componentes automotivos, como chassis, motores elétricos ou baterias.
A jornada começou com um discurso do chefe do Executivo na Universidade de Tsinghua, a mais importante do país nas áreas de ciência e tecnologia, onde o atual presidente Xi Jinping se formou em engenharia química.
Lá, Sánchez apostou no aprofundamento das relações econômicas com a China e pediu às autoridades do país que “se abram” aos produtos e empresas europeias para que o Velho Continente não tenha que recorrer ao isolacionismo. Além disso, pediu a redução do atual déficit comercial, “insustentável” a médio e longo prazo, conforme alertou.
POLÍTICA BASEADA NA CIÊNCIA
Embora a visita à China — a quarta que realiza em quatro anos — tenha um caráter marcadamente econômico, Sánchez também quis colocar o foco na cooperação bilateral no âmbito científico e visitou a Academia Chinesa de Ciências, que o condecorou como professor honorário.
Em um mundo que está mudando rapidamente, a ciência, afirma ele, é essencial. “Já não é uma opção, é uma necessidade”, para enfrentar ameaças globais como as mudanças climáticas, a saúde global e a governança de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial.
“A ciência nos ajuda a compreendê-las, transformando-as em oportunidades para o progresso. Ela nos proporciona evidências, método e clareza. E em tempos de incerteza, essa clareza é o que nos permite agir com confiança e elaborar melhores políticas públicas”, afirmou.
Nesse sentido, destacou a cooperação entre pesquisadores e instituições da China e da Espanha que, segundo ele, se fortaleceu nos últimos anos. “Os pesquisadores circulam entre nossos países. As ideias viajam. E juntos, construímos um conhecimento que nenhum país poderia construir sozinho”, comemorou.
PESQUISA ESPACIAL E ALIMENTAR
Especificamente, mencionou a missão Smile, um projeto espacial que permitirá obter a primeira imagem global da magnetosfera terrestre e melhorará as previsões meteorológicas espaciais, essenciais para proteger os satélites e as redes de energia e comunicações.
Ele também destacou outros projetos de pesquisa sobre segurança alimentar que estão desenvolvendo novas tecnologias para a agricultura sustentável que, em sua opinião, demonstram que a cooperação fortalece a ciência, “melhora sua qualidade e amplia seu impacto”.
Assim, após ser nomeado professor honorário, ele se comprometeu a promover novas pesquisas conjuntas e apoiar o intercâmbio de talentos. “A Espanha e a China continuarão trabalhando lado a lado, promovendo o avanço do conhecimento para o bem comum. Esse é o caminho em que acreditamos. E esse é o futuro que queremos construir”, concluiu.
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