EUROPA PRESS - CARLOS LUJÁN
MADRID 8 jan. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, afirmou nesta quinta-feira que a Espanha é um país atlantista, mas isso não significa que deva haver uma “vassalagem” aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que reivindicou que, em um momento em que a ordem internacional baseada em regras está sendo desafiada, não se pode ficar calado diante de qualquer violação do Direito Internacional, como a que ocorreu na Venezuela.
“A Espanha e este governo são pró-atlantistas, mas o atlantismo não significa vassalagem, significa ter uma cooperação leal, de igual para igual, definida por objetivos comuns, tanto por parte dos Estados Unidos quanto por parte da Espanha”, afirmou durante a inauguração da Conferência de Embaixadores na sede do Ministério das Relações Exteriores.
Sánchez, que em nenhum momento de seu discurso, que durou cerca de 50 minutos, mencionou expressamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que a operação militar realizada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, durante a qual o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi capturado, “viola claramente o Direito Internacional”.
Além disso, defendeu que “é importante que a voz clara da Espanha seja ouvida quando se trata de denunciar a ameaça à integridade territorial de um Estado europeu e da OTAN como é a Dinamarca”. “Não devemos nos calar diante de ameaças tão explícitas ou implícitas ao Direito Internacional”, acrescentou, em referência ao interesse manifestado por Trump nos últimos dias em assumir o controle da Groenlândia, mesmo que seja necessário recorrer à força militar. “As palavras importam”, insistiu Sánchez, porque “têm consequências, quebram a confiança, abrem caminho para o impensável”. Por isso, defendeu, “é importante que falemos claro, que não nos calemos, como também não nos calamos em muitos outros âmbitos, quando essas violações do Direito Internacional ocorreram”. “A violação do Direito Internacional é sempre uma derrota, e é uma derrota fundamentalmente para as democracias, mesmo onde não existe essa democracia, e é um precedente perigoso para a paz e a segurança global e, portanto, a resposta à ilegitimidade não pode ser cometer uma ilegalidade”, afirmou, referindo-se ao fato de que a Espanha, assim como os Estados Unidos, consideram ilegítima a reeleição de Maduro em 2024.
NÃO HÁ ESPAÇO PARA TIBIDEZ “Não há espaço para tibidez ou meias medidas”, disse o presidente, diante da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, assim como não houve “quando tivemos que rejeitar a suposta legitimidade da vitória, que obviamente não foi tal, de Maduro nas últimas eleições presidenciais na Venezuela”, sustentou.
Assim sendo, ele garantiu que “a Espanha continuará fazendo tudo o que for necessário em defesa do povo venezuelano, de sua soberania, de seu direito de escolher um futuro democrático sem interferências externas”, pois considera que são os venezuelanos que devem decidir seu futuro.
“Vamos ajudar ativamente a transição para a democracia na Venezuela, vamos fazê-lo de forma ativa, vamos fazê-lo também a partir do valor que nos confere a experiência histórica do nosso país, para que o futuro da Venezuela seja decidido pelos venezuelanos, e não por um país estrangeiro, nem por interesses alheios aos dos venezuelanos e venezuelanas”, salientou.
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