Os dois líderes realizaram uma reunião bilateral em Bruxelas na quarta-feira.
MADRID/BRUSSELS, 28 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente do governo, Pedro Sánchez, pediu à presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, que aumente a pressão sobre Israel diante da intensificação da ofensiva em Gaza, e esta, por sua vez, saudou o "compromisso" da Espanha de aumentar os gastos com defesa.
Na reunião de quarta-feira em Bruxelas, os dois homens discutiram a crise no Oriente Médio, um ano após a Espanha ter reconhecido a Palestina como um Estado, e Sánchez expressou sua "extrema preocupação" com a "catástrofe humanitária da qual a população de Gaza é hoje a principal vítima", de acordo com o governo em um comunicado.
Nesse sentido, Sánchez reiterou a necessidade de aumentar a pressão sobre Israel para que interrompa "sua invasão ilegal", suspendendo o Acordo de Associação UE-Israel e implementando sanções, inclusive um embargo à venda de armas. Até o momento, os parceiros europeus se comprometeram apenas a revisar esse acordo.
A chefe do executivo da UE, por sua vez, descreveu a reunião como um "bom encontro" para tratar de uma ampla gama de questões, incluindo o "compromisso da Espanha de aumentar os gastos com defesa", um esforço que Von der Leyen disse ter saudado.
O próximo orçamento comum, que começará a ser negociado neste verão, será "fundamental" para fortalecer a segurança do continente, juntamente com as contribuições nacionais e do setor privado, disse a conservadora alemã.
A esse respeito, Sánchez enfatizou a necessidade de atingir metas de gastos compatíveis com os compromissos sociais, ambientais e multilaterais dos Estados-membros. O presidente prometeu, há algumas semanas, atingir 2% do PIB em gastos com segurança até 2025, mas a OTAN está pedindo um esforço adicional para atingir 5%.
Nesse sentido, Sánchez lembrou que a Espanha investe "quase dez vezes mais do que a média da OTAN" em operações de manutenção da paz e tem mais de 3.000 militares destacados em operações no exterior.
TARIFAS E ACORDO COM O MERCOSUL
Von der Leyen também se referiu à questão do comércio e à necessidade de "reforçar" a rede de acordos internacionais que a União Europeia possui, "começando pelo Mercosul", enfatizou Von der Leyen, em referência ao acordo anunciado em dezembro do ano passado, mas cuja tramitação ainda está nas mãos de Bruxelas, aguardando a apresentação dos textos legislativos que permitirão o início do processo de ratificação. Sánchez também pediu "urgência" para concluir esse acordo de associação.
Von der Leyen concluiu a mensagem que divulgou nas mídias sociais discutindo com o presidente a crise humanitária "intolerável" em Gaza e destacou que a ajuda humanitária deve "chegar aos que precisam", "imediatamente e em grande escala".
A reunião começou depois das 11h, depois que Von der Leyen recebeu Sánchez em sua chegada à sede da Comissão Europeia, onde eles posaram para uma saudação à imprensa, mas não quiseram fazer nenhuma declaração.
Os dois líderes também discutiram a ameaça tarifária dos EUA para a UE, e Sánchez expressou seu apoio às negociações em andamento e insistiu na necessidade de manter uma resposta baseada em "unidade e reciprocidade".
ELES NÃO DISCUTIRAM O CATALÃO
O presidente espanhol também lembrou a necessidade de ampliar as interconexões elétricas da Península Ibérica com o resto da Europa, no dia em que se completa um mês do apagão geral que deixou a Espanha e Portugal sem eletricidade por várias horas e cujas causas ainda não foram esclarecidas.
Na reunião, no entanto, o pedido para que o catalão, o basco e o galego se tornem idiomas oficiais da UE não foi abordado, de acordo com fontes do governo, apesar do fato de que no dia anterior a Espanha enfrentou novamente as reservas de uma dúzia de parceiros para realizar essa reforma.
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