Europa Press/Contacto/Mariana Bazo
MADRID 4 jul. (EUROPA PRESS) -
O ex-candidato presidencial de esquerda Roberto Sánchez propôs, como condições para dialogar com a presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, a revogação das chamadas “leis pró-crime”, a investigação das mortes ocorridas durante os protestos de 2022 e 2023 e a libertação do ex-presidente Pedro Castillo.
“Vamos criar a comissão que investigue os crimes no sul. Vamos demonstrar essa vontade política para revogar as leis pró-crime e, como muitos peruanos sentem, atender a uma exigência ética: a libertação do presidente Pedro Castillo. Quando esses critérios forem colocados em prática, estaremos sempre dispostos a dialogar”, explicou em declarações à emissora RPP.
O líder do Juntos pelo Peru ressaltou que sua posição é crítica em relação à futura presidente. “Somos a favor do diálogo, sempre buscamos construir, mas não acredito em nada do que a senhora Keiko Fujimori diz”, advertiu.
Assim, ele descartou, por enquanto, responder ao apelo para chegar a acordos com outras forças políticas lançado por Fujimori diante da vitória apertada nas recentes eleições presidenciais.
Sánchez explicou que impulsionará um bloco político para exercer a oposição durante o mandato de Fujimori, pois considera que o Peru precisa de uma alternativa à concentração de poder no governo e no Congresso. “Vamos criar um projeto, uma coalizão democrática que sirva de contraponto a essa tendência autoritária que hoje governa o Peru a partir do Parlamento, por meio do pacto mafioso”, explicou.
Quanto à investigação das mortes ocorridas durante os protestos na crise política que culminou na destituição de Castillo, Sánchez ressaltou que se trata de um processo “indispensável” para apurar responsabilidades e atender às demandas dos familiares das vítimas.
Para Sánchez, não basta um apelo ao diálogo se antes não houver um compromisso para esclarecer esses fatos, observou ele ao chegar ao Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima.
Sánchez também pediu a revisão do pacote de normas que classificou como “leis pró-crime”, pois considera que elas prejudicam a luta contra a impunidade e enfraquecem o sistema de justiça.
De qualquer forma, Sánchez questionou a proclamação de Fujimori como presidente eleita pelo Jurado Nacional de Eleições (JNE), uma vez que ainda está pendente um recurso apresentado por seu partido, Juntos pelo Peru, referente às atas de votação no exterior.
Conforme explicou, o regulamento eleitoral estabelece um prazo para resolver esse tipo de recurso antes da conclusão do processo. Por isso, afirmou que a proclamação não respeitou o procedimento previsto e questionou a atuação das autoridades eleitorais.
“Como vão proclamar se o regulamento diz que há uma questão a ser resolvida? Isso não é segurança jurídica. Isso não é respeitar a lei”, argumentou. Além disso, indicou que o próximo governo “nasce ilegítimo” e não conta com apoio em grande parte do país.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático