Publicado 06/05/2026 04:11

Sánchez pede à Comissão que as sanções dos EUA contra juízes do TPI por investigarem a situação em Gaza não tenham repercussões na U

Archivo - Arquivo - O presidente do Governo, Pedro Sánchez, conversa com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante a reunião do Conselho Europeu, em 19 de março de 2026, em Bruxelas (Bélgica). Sánchez enfrenta o primeiro dia de trab
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Em uma carta a Von der Leyen, ele solicita a ativação do Estatuto de Bloqueio, que permite neutralizar sanções estrangeiras que afetem os interesses da UE

MADRID, 6 maio (EUROPA PRESS) -

O presidente do Governo, Pedro Sánchez, solicitou hoje à presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, que ative o Estatuto de Bloqueio para que as sanções dos EUA contra a relatora da ONU Francesca Albanese e os juízes e promotores do Tribunal Penal Internacional que investigam o genocídio em Gaza não tenham efeito na União Europeia.

Foi o que ele anunciou em uma postagem em sua conta na rede social X, divulgada pela Europa Press, diante das sanções que os Estados Unidos estão impondo a membros da ONU e do Tribunal Penal que investigam o genocídio em Gaza. A ativação do Estatuto de Bloqueio é uma ferramenta que permite anular normas de países terceiros que afetem os interesses da UE.

O chefe do Executivo precisou que a Espanha “não faz vista grossa” e adverte que “sancionar aqueles que defendem a justiça internacional é colocar em risco todo o sistema de direitos humanos”.

Em sua opinião, a União Europeia não pode ficar de braços cruzados diante dessa perseguição e, por esse motivo, solicitou à Comissão Europeia que ative o Estatuto de Bloqueio para proteger a independência do Tribunal Penal Internacional e das Nações Unidas, bem como suas ações para pôr fim ao genocídio em Gaza.

O chefe do Executivo espanhol reage assim às sanções que os Estados Unidos vêm impondo desde o início de 2025 contra membros do Tribunal Penal Internacional e que já afetam onze juízes e promotores.

Já em fevereiro do ano passado, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para impor sanções a altos cargos e funcionários do Tribunal Penal Internacional (TPI) em retaliação à ordem de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, bem como contra seu ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant.

Em julho, Washington sancionou a relatora especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, por sua “campanha” contra Israel e, em agosto, emitiu uma nova sanção, desta vez contra quatro membros do TPI envolvidos em processos contra Israel e os EUA, aos quais se somou uma nova sanção em dezembro de 2025 contra outros dois juízes do referido Tribunal Penal Internacional por seus “esforços” para “investigar, prender ou processar” israelenses.

Netanyahu aplaudiu as sanções alegando que “o TPI não é um tribunal de justiça, mas uma ferramenta política da guerra jurídica internacional”.

CARTA A VON DER LEYEN Este anúncio de Pedro Sánchez ocorre após o envio de uma carta dirigida a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão, na qual o presidente do Governo a alertou de que tais sanções “constituem um precedente muito preocupante que compromete o funcionamento independente de instituições essenciais para a justiça internacional”, segundo um comunicado de imprensa emitido pela Moncloa.

Nela se especifica que as medidas de pressão autorizadas pelo presidente Trump incluem o “cancelem de contas e serviços bancários, restrições de viagem e todo tipo de obstáculos para impedir que realizem seu trabalho: investigar e perseguir a violação dos direitos humanos”.

Segundo a Moncloa, tradicionalmente, o Regulamento da União Europeia n.º 2271/1996, conhecido como Estatuto de Bloqueio, tem servido para proteger os operadores econômicos europeus contra a aplicação extraterritorial de leis de países terceiros que afetem os interesses da UE (atualmente, aplica-se a determinadas normas dos EUA).

Mas, no documento dirigido à Comissão, o Governo da Espanha defende que é chegado o momento de este mecanismo “ultrapassar a lógica comercial com que foi criado” e servir como “escudo” contra medidas que ponham em risco o sistema.

O GOVERNO SOLICITA QUE SE ULTRAPASSE A LÓGICA COMERCIAL

Para isso, segundo o governo, a União Europeia teria que incluir a norma estrangeira prejudicial no anexo do regulamento. Neste caso, a Espanha solicita a incorporação de várias ordens executivas dos EUA, emitidas ao abrigo da International Emergency Economic Powers Act e da National Emergencies Act, nas quais se baseiam as sanções.

A carta lembra que o Tribunal Penal Internacional tem um papel essencial na luta contra a impunidade e na prestação de contas diante dos crimes mais atrozes (genocídio, crimes de guerra, agressão e crimes contra a humanidade), e que os Relatores Especiais das Nações Unidas desempenham uma função fundamental na investigação de denúncias de violações dos direitos humanos.

Por isso, Pedro Sánchez considera que as sanções não afetam apenas seus destinatários, mas “corroem toda a arquitetura normativa que sustenta as relações internacionais”.

ESPANHA BUSCA O APOIO DE OUTROS ESTADOS-MEMBROS

Dito isso, o Governo assinala que a Espanha já está trabalhando para obter o apoio de outros Estados-Membros comprometidos com a justiça internacional e a defesa dos direitos humanos, a fim de articular uma coalizão que respalde o pedido perante a Comissão.

Além disso, promoverá a inclusão deste assunto na ordem do dia do Conselho Europeu de 18 e 19 de junho, com o objetivo de que suas Conclusões incluam um mandato político explícito à Comissão. “Nosso compromisso comum com o Direito Internacional exige uma resposta decidida e coerente”, afirma Pedro Sánchez em sua carta a Von der Leyen.

O Executivo considera que, em um momento de “incerteza global em que alguns atores tentam destruir a ordem internacional, a UE deve reforçar seu compromisso com os pilares de um sistema de paz e progresso construído ao longo de gerações”.

Por isso, consideram que a ativação do Estatuto de Bloqueio é uma “oportunidade” para continuar a consolidar uma soberania europeia real e efetiva, para além da proteção dos interesses econômicos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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