Matias Chiofalo - Europa Press
MADRID, 20 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, tentou minimizar o atraso de duas horas sofrido pelo Conselho de Ministros nesta sexta-feira, devido à pressão do Sumar para incluir medidas na área da habitação no pacote anticrise devido à guerra no Irã, e considera que se trata de uma situação normal em um governo de coalizão.
Sánchez foi questionado sobre como foram essas horas, uma vez que os ministros do Sumar se recusaram a entrar no Conselho de Ministros, e respondeu que “foram as de um governo de coalizão”. No entanto, o Sumar aponta que o PSOE queria aprovar um único texto e, nas conversas de última hora, concordaram em separar as medidas relativas à habitação em um segundo decreto real.
“Não posso dizer mais nada”, indicou Sánchez, ressaltando que se dedicaram a “trabalhar, dialogar e chegar a acordos” e enfatizando que, finalmente, alcançaram um acordo que se concretizou em dois decretos reais distintos, um sobre habitação e outro sobre medidas para reduzir o preço da energia.
“Entendo que o sensacionalismo seja interessante para a mídia”, afirmou em uma coletiva de imprensa na Moncloa, ressaltando ainda que, nas últimas horas, teve que estar fora da Espanha, participando do Conselho Europeu em Bruxelas.
Em sua opinião, essa é a política do século XXI — “o diálogo, a negociação e o acordo” — que, considera ele, confere “mais legitimidade” às decisões tomadas pelo Executivo. “Portanto, não vejo isso de forma alguma como um problema, mas, pelo contrário, como um trunfo deste Governo”, defendeu.
DEFENDE A CAPACIDADE DE NEGOCIAÇÃO DO SEU GOVERNO
O presidente do Governo fez essas declarações ao ser questionado sobre esse incidente inédito, no qual parte dos ministros do Executivo se recusou a entrar em uma reunião do Conselho de Ministros até que suas exigências fossem incluídas.
No entanto, ele comparou a situação a um Conselho de Ministros realizado no início da pandemia, que durou “nove horas”, no qual foram adotadas medidas que, segundo ele, foram acertadas, e afirma que é preciso valorizar a capacidade de negociação de seu governo.
“Bem-vindos à Europa, bem-vindos a uma cultura de democracia, de negociação, de acordo, que se concretiza nestes dois decretos-leis reais. E creio que isso é o que importa”, acrescentou, destacando o diálogo entre os parceiros do governo e também com os demais grupos parlamentares, os agentes sociais e os setores afetados.
CONVERSAS NA MADRUGADA E SOLUÇÃO DE ÚLTIMA HORA
O início do Conselho estava previsto para as 9h30, mas só começou às 11h40, após a intervenção direta de Sánchez e inúmeras conversas entre ministros em uma intensa negociação de última hora, segundo fontes da coalizão.
Durante essas duas horas, Sánchez se reuniu com a segunda vice-presidente, Yolanda Díaz, e também em um formato mais amplo com os cinco ministros do Sumar. O ministro da Cultura, Ernest Urtasun, também manteve conversas com a primeira vice-presidente, María Jesús Montero.
O resultado final foi um acordo para aprovar dois decretos distintos: um sobre habitação, cujo apoio ainda está em aberto, e outro com medidas voltadas para a redução do preço da energia, que vem subindo nas últimas semanas devido à guerra no Irã.
Os ministros do Sumar decidiram dar um passo adiante e impedir o início do Conselho de Ministros após vários dias de intensas negociações com as quais não estavam satisfeitos. Na véspera, as conversas por telefone se prolongaram até a madrugada e, nesta manhã, a posição do PSOE era aprovar um texto único no qual não constavam medidas relacionadas à habitação.
Por fim, ambas as partes optaram por separá-las em um segundo decreto diante da evidência de que, pelo menos neste momento, não contam com os apoios necessários para aprová-las, diante da recusa de Junts e do PNV.
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