BORJA PUIG DE LA BELLACASA
MADRID 25 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, lembrou nesta quinta-feira a figura do ex-presidente do Uruguai José Mujica, uma referência política para a esquerda latino-americana, e perguntou o que ele diria diante do "exercício de cinismo e dois pesos e duas medidas" que, em sua opinião, "a comunidade internacional está praticando" na Faixa de Gaza.
"O que Pepe Mujica diria sobre o que está acontecendo em Gaza? O que ele sentiria ao ver a faixa transformada em um muro? O que ele pensaria de um mundo que exibe a retórica dos direitos humanos, mas permite sua violação sistemática? O que ele escreveria sobre esse exercício de cinismo e dois pesos e duas medidas que a comunidade internacional está praticando?", perguntou durante seu discurso na homenagem ao ex-líder, no âmbito da 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York.
Em contrapartida, Sánchez enfatizou que, no caso de Mujica, "o que ele dizia coincidia com o que ele fazia" e "o que ele fazia estava sempre a serviço do que ele pensava": "Há pessoas cuja vida em si é um discurso, e acredito que José Mújica era uma delas". Nesse sentido, ele lembrou as palavras proferidas pelo ex-líder uruguaio perante a ONU em 2013, nas quais ele pediu para "cuidar da vida".
Nesse sentido, expressou sua preocupação com a atual "ascensão" de "uma internacional de ultradireita" que "se fortaleceu na mentira e na manipulação dos debates", contra a qual "a democracia deve se fortalecer, dando respostas a problemas imediatos e oferecendo certeza diante da incerteza e da esperança".
Com relação a este último, o líder espanhol disse que Mujica, em sua opinião, entendeu essa urgência "muito antes da maioria". "Quando ele falava em cuidar da vida, estava se referindo ao enfrentamento da emergência climática, à libertação da economia dos limites estreitos do mercado, a uma existência em que as pessoas trabalham para viver e não vivem para trabalhar. Para ele, a vida sempre foi plural", acrescentou.
Ele reiterou que, em sua opinião, o que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está fazendo em Gaza "não tem nome", mas "há uma palavra que o define", que é "genocídio". "Às vezes é melhor estar sozinho do que em má companhia, porque sabemos que essa solidão é efêmera e que muitos outros acabarão se juntando à voz do bom senso (...) Coerência e coragem são essenciais para escolher o lado certo da história", defendeu.
"REDUZIR A DESIGUALDADE" E "RECUPERAR A SOBERANIA DA INFORMAÇÃO".
No entanto, o chefe do Executivo espanhol pediu a "redução da desigualdade" como "um dever moral" e a "recuperação da soberania da informação". "Vivemos em um mundo onde cada vez menos importa o que pode ser dito, porque são os senhores do algoritmo que decidem a conversa no espaço público", lamentou, pedindo o uso da "palavra como uma ponte" e "não como um muro".
"Nesta Assembleia Geral das Nações Unidas, devemos buscar instituições multilaterais nas quais o poder não dependa da força para se impor, mas da razão para convencer (...) Nossa segurança deve vir de um equilíbrio global que bane a sombra da guerra", disse.
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