BORJA PUIG DE LA BELLACASA/ GOBIERNO DE ESPAÑA
Reitera a necessidade de criar um Exército europeu e sua rejeição aos 5% do PIB em Defesa, mas garante que seus gastos triplicaram MADRID 14 fev. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, rejeitou neste sábado um aumento das políticas de dissuasão nuclear e pediu às potências da OTAN que “freiem e assinem” para impedir uma nova corrida armamentista, pois considera que atualmente “o rearmamento mais necessário no mundo é o rearmamento moral”.
Esta abordagem contrasta com a manifestada na sexta-feira pelo secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que garantiu que os Estados Unidos manterão uma “forte presença” no futuro na organização, tanto a nível nuclear como convencional.
Durante sua intervenção na mesa redonda “À altura? Fortalecendo as bases da segurança transatlântica”, realizada na Conferência de Segurança de Munique, Sánchez destacou que a Espanha triplicou seus gastos com defesa em relação ao PIB nos últimos anos e duplicou o número de militares destacados em missões da OTAN.
O chefe do Executivo espanhol mostrou-se “firmemente convencido” de que o rearmamento nuclear dos últimos anos, que estimou em 11 milhões de dólares por hora, “não é o caminho a seguir”. “Nossos pais e avós perceberam que a dissuasão nuclear é muito cara e perigosa porque, em certas ocasiões, erros técnicos e humanos nos aproximaram de uma guerra que teria levado a humanidade à beira da extinção”, indicou. Em sua opinião, “um sistema que exige zero erros não é garantia, é uma aposta perigosa”. “Não é uma questão de esquerda ou direita. É um erro histórico que não podemos repetir, com uma sombra de incerteza sobre a IA”, disse Sánchez, antes de pedir “humildemente” que se impeça uma nova corrida armamentista que a história “julgará”.
Sánchez defendeu “frear” o presidente russo, Vladimir Putin, e favorecer a capacidade dissuasória europeia “de forma controlada” e apostou em “um verdadeiro Exército europeu não daqui a dez anos, mas agora”, contribuindo com todos os recursos necessários; em “empoderar as instituições”; e por “investir nos valores da solidariedade, empatia e colaboração, porque o rearmamento mais necessário no mundo é um rearmamento moral”. Além disso, o chefe do Gabinete espanhol apontou que é necessário desenvolver capacidades de defesa europeias para garantir a segurança, a soberania e a integridade territorial, “além de oferecer garantias de segurança aos aliados internacionais”.
Além disso, Sánchez defendeu o “fortalecimento do sistema multilateral e uma maior capacitação das instituições globais” que mantiveram a paz global durante décadas. E colocou o foco no desenvolvimento da indústria de defesa na Europa para reforçar a autonomia, apoiando “o fortalecimento do pilar europeu” da defesa dentro da Aliança Atlântica.
FOCAR “NÃO SÓ NO QUANTO SE GASTAM, MAS EM GASTAR MELHOR JUNTOS” Em um painel compartilhado com o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen; e o senador americano Christopher A. Coons, o presidente espanhol apostou em “focar mais não apenas em quanto se gasta, mas em gastar melhor juntos”, alertando que aceitar essa meta de 5% do PIB em defesa exigida pelos Estados Unidos “significará mais dependência do setor americano”.
Além disso, afirmou que não entende “como alguns nos Estados Unidos veem o projeto europeu como uma ameaça”, sublinhando que “é uma das maiores conquistas do século XX”. “Decidimos avançar na União Europeia para o bem da estabilidade e da paz global”, apontou.
Na mesma linha, Pedro Sánchez acrescentou que alguns olham para a União Europeia “e gostariam de vê-la mais fragmentada”, mas defendeu que é preciso “aprofundar o mercado interno”, dando como exemplo o acordo com o Mercosul e afirmando que “os Estados Unidos têm que aceitar que, no futuro, o que terão é uma UE mais integrada”.
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