Alejandro Martínez Vélez - Europa Press
MADRID, 28 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, referiu-se nesta terça-feira aos processos judiciais abertos contra seu irmão, David Sánchez, e sua esposa, Begoña Gómez, como “causas políticas”, e enfatizou que ambos são “duas pessoas com um histórico de integridade e profissionalismo”.
Ele fez essas declarações na coletiva de imprensa realizada na Moncloa para fazer um balanço do ano político antes do recesso de verão, uma oportunidade que lhe serviu para ressaltar que, além do laço familiar, tanto David Sánchez quanto Begoña Gómez são “dois profissionais”.
“É claro que Begoña Gómez é minha esposa e David Sánchez é meu irmão, mas são Begoña Gómez e David Sánchez, duas pessoas que, durante toda a vida, se dedicaram a trabalhar e a se formar”, enfatizou.
Sobre seu irmão, ele lembrou que ele é formado em Economia pela ICADE, formado em Composição e Regência de Orquestra pela Universidade Russa de São Petersburgo, onde morou seis anos, e que fala perfeitamente russo, inglês, francês e italiano.
“Ele não é apenas meu irmão, é, antes de tudo, David Sánchez. E, portanto, em um sistema que garante os direitos individuais como o nosso, ele tem todo o direito de recorrer dessa sentença que considera injusta, e esperamos que outras instâncias lhe dêem razão”, observou Sánchez.
BEGOÑA GÓMEZ RENUNCIOU À SUA EMPRESA
Quanto à sua esposa, ele lembrou que se conheceram quando tinham 30 anos, e que ela já trabalhava há mais de uma década em sua própria empresa, atividade que abandonou em 2018, quando ele assumiu o cargo na Moncloa. “Ela renunciou à sua empresa. E fez isso para evitar qualquer conflito de interesses e qualquer tipo de problema que pudesse surgir, mesmo que fosse artificial e intencional”, destacou ele, lamentando que isso seja exatamente o que, em sua opinião, acabou acontecendo.
“Mas ela já era uma profissional antes de eu a conhecer, e antes de eu me tornar secretário-geral do PSOE, ela já colaborava na Universidade Complutense com alguns cursos de mestrado e de pós-graduação que ela liderava e concebia. Portanto, não é minha esposa, é Begoña Gómez. Digo isso porque, em muitas ocasiões, com esse tipo de estratégia, o que se faz é desumanizar pessoas que têm um passado de integração e profissionalismo”, reclamou Sánchez.
Nesse ponto, ele destacou que sua esposa chegou a sacrificar “boa parte de seu desenvolvimento profissional” simplesmente porque ele foi eleito presidente do Governo. “A pergunta que devemos nos fazer é: o cônjuge de um presidente ou de uma presidente do Governo precisa renunciar à sua carreira profissional? É essa a Espanha que queremos?”.
AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
O presidente falou em causas políticas quando questionado sobre declarações do ministro dos Transportes, Óscar López, que há semanas denunciou a existência de atores que querem “derrubar o governo por métodos não democráticos”.
Sánchez aproveitou para salientar que, nem no caso de seu irmão nem no de sua esposa, o Ministério Público solicitou o arquivamento do processo e que, no caso de Gómez, diante de um suposto crime de desvio de verbas, “nem mesmo a Procuradoria do Estado foi acionada, embora, em teoria, ela exista para defender os interesses da Administração Pública”.
“Então, o que nos resta? O que vocês têm divulgado na mídia? As acusações populares. As acusações populares não estão promovendo uma causa política? Acredito que isso não seja uma opinião, é um fato”, afirmou o presidente do Governo.
E é que, em sua opinião, é “evidente” que “há uma intencionalidade por parte dessas acusações populares” do Vox e do PP, que se constituem como partes nos processos utilizando essa figura que o Governo quer limitar e que, segundo Sánchez, apenas propõe aumentar as penas de prisão no âmbito desses procedimentos. “Essas são as propostas que estão fazendo. Esse é o tipo de oposição que temos”, lamentou.
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