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BRUXELAS 26 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, criticou nesta quinta-feira que a União Europeia está aplicando dois pesos e duas medidas com sucessivas rodadas de sanções contra a Rússia por sua invasão da Ucrânia, mas não responde com a mesma firmeza às violações dos direitos humanos de Israel em Gaza, e por isso pediu a seus parceiros na UE que tomem a medida de suspender "imediatamente" o Acordo de Associação que o bloco tem com este país.
"Acho que é mais do que evidente que Israel está violando o artigo 2 (do Acordo de Associação) e, portanto, o que defenderei hoje no Conselho Europeu é que a Europa tem que suspender o acordo de associação com Israel e tem que fazê-lo imediatamente", resumiu em declarações à imprensa em Bruxelas, em sua chegada à cúpula de chefes de Estado e de governo da UE.
A suspensão de tal acordo, que também afeta as relações comerciais com Israel, requer a unanimidade dos 27, mas após um primeiro debate na última segunda-feira no nível dos ministros das relações exteriores da UE, ficou claro que o bloco está longe de chegar a tal consenso.
A Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, apresentou aos ministros um relatório que acredita em "indicações" de que Israel está violando os direitos fundamentais na faixa, enquanto 17 países, incluindo a Espanha, pediram uma revisão do acordo.
No entanto, o debate terminou sem resultados concretos devido às diferenças entre os governos e à decisão de Kallas de transferir as preocupações do debate para Israel e deixar a reflexão sobre possíveis medidas para julho.
Nesse contexto, Sánchez advertiu que "não faz sentido que tenhamos 18 pacotes de sanções contra a Rússia por sua agressão contra a Ucrânia e a Europa, em um padrão duplo, não é capaz nem mesmo de suspender um Acordo de Associação quando o Artigo 2 sobre o respeito aos direitos humanos está sendo flagrantemente violado, neste caso, por Israel".
O Presidente do Governo fez eco ao relatório Kallas e à informação que recolhe do relatório dos Direitos Humanos sobre a "situação catastrófica de genocídio" que se vive em Gaza, ao mesmo tempo que sublinhou que a Espanha apela a um cessar-fogo "de qualquer tipo de guerra", mas também que a ajuda humanitária "imediata e urgente" seja autorizada a aceder a Gaza pelas Nações Unidas e que se faça "mais progressos" no sentido de uma solução de dois Estados.
A IRLANDA TAMBÉM PEDE PRESSÃO
O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, também alertou, ao chegar à cúpula, que os europeus "acham incompreensível" que a UE não esteja em posição de "pressionar" Israel para convencê-lo a cessar a guerra em Gaza e parar o "massacre de crianças e civis inocentes".
"A guerra precisa acabar", insistiu o irlandês, que disse "entender que há razões históricas pelas quais alguns Estados-membros têm uma perspectiva particular" sobre a situação no Oriente Médio, mas enfatizou que "de uma perspectiva humanitária" é "incompreensível" o que está acontecendo.
"A Europa precisa articular isso da maneira mais forte possível e buscaremos mecanismos para garantir que essa guerra seja interrompida e que a ajuda humanitária chegue a Gaza com urgência", continuou Martin, que também pediu a Israel que pare de denunciar todos os relatórios que analisam a situação com "critérios objetivos" da catástrofe na faixa.
O primeiro-ministro irlandês também se referiu ao Acordo de Associação e enfatizou que Israel deve respeitar "todas as cláusulas, incluindo aquelas sobre direitos humanos", embora tenha admitido que há "opiniões diferentes sobre a mesa" na União, mas lembrou que outros atores internacionais, como o Reino Unido, a Noruega e Gaza, tomaram medidas para sancionar os colonos na Cisjordânia e os ministros, portanto, há coisas que a UE deve avaliar além do Acordo de Associação.
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