Jose Breton / AFP7 / Europa Press
O presidente chegou com atraso vindo de Nova York, o que obrigou a alguns reajustes na agenda
ARGÉLIA, 20 jul. (Da correspondente especial da EUROPA PRESS, Leyre Guijo) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, já se encontra na Argélia, onde deve se reunir com o presidente da Argélia, Abdelmayid Tebune, no Palácio de El Mouradia, em uma visita relâmpago com a qual ambos os governos dão por encerrada a crise diplomática desencadeada há quatro anos pelo apoio ao plano de autonomia marroquino para o Saara.
O chefe do Executivo chegou a Argel vindo de Nova York, onde ontem à noite assistiu à final da Copa do Mundo de futebol, na qual a Espanha venceu a Argentina por 1 a 0, com um certo atraso, o que obrigou a alguns ajustes na agenda inicial, já que, além disso, Sánchez tem previsto receber a seleção esta tarde no Palácio da Moncloa.
Sánchez viajou acompanhado, para a ocasião, pela terceira vice-presidente e ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen, e pelo ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares. Após a tradicional homenagem floral no Monumento aos Mártires, ele se reunirá com o presidente Tebune e, em seguida, as delegações de ambos os governos se juntarão a eles. Para encerrar, está prevista uma declaração conjunta de Sánchez e Tebune, seguida de um almoço oficial.
OBJETIVO DA VISITA
Com essa visita, além de marcar o início de uma nova etapa nas relações após terem superado o desentendimento em relação à mudança de postura sobre o Saara, ambos os governos buscam impulsionar as relações nas áreas energética e econômica, depois que as trocas comerciais tenham sido gravemente prejudicadas pelo distanciamento no plano político.
Assim, a Moncloa explicou que o governo busca aumentar as importações de gás da Argélia, com o objetivo de ampliar o volume de gás que chega pelo gasoduto Medgaz — o único que fornece gás atualmente, após o fechamento do gasoduto que também passava por Marrocos em 2020 —, mas também o fornecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL).
Por outro lado, o Executivo também deseja ajudar, na medida do possível, as empresas espanholas a concorrerem às inúmeras licitações previstas no país, principalmente em setores como infraestruturas, água ou energias renováveis, e a continuar aumentando as exportações, com o objetivo de reduzir o déficit comercial com a Argélia resultante das compras de gás.
A Argélia é o principal fornecedor de gás da Espanha, fato que não foi afetado durante a crise diplomática, como o Governo sempre se encarregou de destacar, ressaltando que se trata de um fornecedor confiável que sempre cumpre os contratos e enfatizando que a Espanha deseja manter as melhores relações, assim como as que mantém com o Marrocos.
Nesse sentido, o governo garante que não alterou sua posição em relação ao Saara, depois que Sánchez enviou uma carta ao rei Mohamed VI apoiando o plano de autonomia marroquino como “a base mais sólida, confiável e realista” para resolver o conflito; ao contrário, foi a Argélia que, aos poucos, vem dando passos para restabelecer a relação.
Em Moncloa, entende-se que a postura mantida pelo presidente do Governo em relação a questões como o conflito em Gaza, onde ele denunciou o “genocídio” por parte de Israel, assim como o reconhecimento da Palestina como Estado, tenha lhe rendido pontos a aos olhos de Argel, permitindo, em um primeiro momento, o retorno do embaixador argelino em dezembro de 2023 e, posteriormente, o levantamento das restrições comerciais em novembro de 2024.
O último grande gesto, antes desta visita, foi o realizado em março passado por Albares, que, em um gesto que reflete a importância que o presidente argelino atribui à Espanha, foi recebido por ele, além de se reunir com seu homólogo, Ahmed Attaf.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático