BENOIT DOPPAGNE / Belga Press / Europa Press / Con
BRUXELAS 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, manifestou nesta sexta-feira, em Bruxelas, seu apoio à iniciativa do presidente do Conselho Europeu, António Costa, de explorar canais diplomáticos com Moscou, mas deixou claro que não acredita que a União Europeia deva assumir um papel de mediadora nas conversas de paz entre a Rússia e a Ucrânia, pois os 27 estão do lado de Kiev.
“Não foi iniciada nenhuma conversa de paz, nem nenhuma negociação de paz. Trata-se simplesmente de um canal diplomático; acredito que seja perfeitamente compreensível e, do ponto de vista do Governo da Espanha, diria que é necessário”, argumentou Sánchez, em uma coletiva de imprensa ao término da cúpula de chefes de Estado e de Governo realizada na capital europeia.
A própria equipe de Costa confirmou na véspera da cúpula que o socialista português havia solicitado “breves contatos” em nível diplomático com a Rússia para abrir “canais de comunicação”, a fim de que a União Europeia possa defender seus “interesses específicos” em vista de eventuais negociações de paz com a Ucrânia.
Já no primeiro dia da cúpula, na quinta-feira, Costa transmitiu aos líderes a importância de dialogar com o Kremlin para garantir uma “paz justa e duradoura” e que também esteja de acordo “com os interesses da Europa”, segundo revelaram fontes europeias. “É isso que o presidente Zelenski está nos pedindo para fazer: que a Europa assuma um papel mais ativo em seus esforços diplomáticos”, disse Costa aos líderes, segundo as mesmas fontes.
Nesse contexto, Sánchez apoiou a iniciativa do ex-primeiro-ministro português, ao mesmo tempo em que quis ressaltar que não se trata, de forma alguma, do início de negociações, mas sim de preparar o terreno diplomático caso o bloco queira retomar o diálogo bilateral com o país responsável pela guerra de invasão na Ucrânia.
“Nós não somos mediadores, porque há mais de quatro anos apoiamos a Ucrânia, sua defesa da integridade territorial e seu direito de existir e de não ser invadida por um agressor como é a Rússia de Putin”, argumentou, para, em seguida, insistir que a União não pode assumir uma mediação enquanto, ao mesmo tempo, inicia as negociações formais de adesão com Kiev para a entrada do país no clube comunitário.
Por tudo isso, continuou ele, se houver conversas de paz entre Kiev e Moscou, a União será “parte”, pois essa guerra não afeta apenas a Ucrânia, mas também a “arquitetura de segurança europeia”. No entanto, ele também relembrou os compromissos da coalizão de voluntários no que diz respeito às garantias de segurança e alertou que, embora faça “todo o sentido” uma via com Costa para a parte institucional, ele também deve atuar como representante dos Estados-membros comprometidos com essas garantias em caso de paz.
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