Fernando Sánchez - Europa Press - Arquivo
MADRID 31 ago. (EUROPA PRESS) -
O chefe do Executivo, Pedro Sánchez, afirmou nesta segunda-feira que o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero lhe transmitiu a “garantia” da legalidade das joias que são objeto de investigação judicial e assegurou que “nunca” lhe falou sobre um empréstimo para socorrer a companhia aérea Plus Ultra.
Em entrevista à “Cadena Ser”, divulgada pela Europa Press, Sánchez quis defender “mais do que nunca” que continua acreditando na presunção de inocência de Zapatero, indiciado pela Audiencia Nacional pelo resgate de 53 milhões à Plus Ultra durante a pandemia, e pediu que se deixe a justiça trabalhar.
Sánchez também questionou o fato de que “a palavra” de um ex-político já não tenha valor em sua estratégia de defesa, enquanto a do empresário Víctor de Aldama, condenado no “caso das máscaras”, “chega às primeiras páginas da imprensa escrita” com inverdades.
UM EMPRÉSTIMO “IMACULADO”
Questionado se pode garantir que Zapatero não interveio junto ao seu governo para o resgate da Plus Ultra, Sánchez indicou que se tratou de um “empréstimo” que foi “endossado por todas as instâncias judiciais e pela intervenção geral do Estado”. “Eles examinaram o processo de cima a baixo, da esquerda à direita. E está impecável”, acrescentou.
Dito isso, Sánchez admitiu ter tido “muitas conversas” com Zapatero e “nunca” ter falado com ele sobre a empresa que agora está sob investigação judicial.
Quanto às joias de Zapatero, ele insistiu em defender sua presunção de inocência e reiterou seu apoio à trajetória e à liderança do ex-presidente, embora tenha ressaltado que as ações de influência ou mediação — “lobby” —— que ex-presidentes do Governo também podem realizar “ocorrem na grande maioria das democracias do mundo”, não apenas na Espanha.
Nesse contexto, Sánchez revelou que perguntou ao ex-líder socialista sobre a origem das joias e de onde elas provinham. Segundo o presidente do Governo, Zapatero lhe garantiu que iria comprovar perante a justiça “a legalidade das mesmas”. “Essa garantia foi dada”, insistiu, após afirmar que não lhe cabe responder por que isso ainda não foi comprovado.
“O PSOE NÃO FOI FINANCIADO DE FORMA IRREGULAR”
Questionado sobre a possibilidade de o PSOE vir a ser indiciado, ele voltou a defender que o partido não foi financiado de forma irregular, embora não saiba o que pode acontecer. “Apresentamos todas as notas fiscais (...) Realizamos um exercício de transparência ao qual nenhum outro partido do sistema político espanhol se submeteu”, esclareceu.
O chefe do Executivo, que destacou que “uma acusação não é uma condenação”, também se referiu às investigações contra a presidente da SEPI, Belén Gualda, a diretora da Guarda Civil, Mercedes González, e ao chefe do DAO, Manuel Llamas, cuja “inocência e integridade” ele defendeu.
Sobre o “caso Leire Díez” e as chamadas “esgotos do PSOE”, Sánchez afirmou que se trata de um assunto “confuso”, sobre o qual não se sabe “o que pode ou não ser objeto de crime”, e afirmou que nunca teve conhecimento nem endossou “esse tipo de comportamento”, que não só lhe causa “vergonha”, mas também repulsa.
BEGOÑA GÓMEZ E DAVID SÁNCHEZ, INVESTIGADOS POR SEREM FAMILIARES DO PRESIDENTE
Por outro lado, Sánchez também destacou que a condenação “injusta” a David Sánchez, inabilitado para exercer cargo público devido à sua contratação na Câmara Provincial de Badajoz, ocorreu porque ele é irmão do presidente do Governo.
“E o mesmo acontece com Begoña Gómez”, continuou o chefe do Executivo, após sua esposa ter sido levada a julgamento por um júri popular. Além disso, ele denunciou uma “estratégia de desumanização” por parte de certos “pseudomídia” ou da oposição dirigida a membros de sua família.
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