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MADRID, 10 jul. (EUROPA PRESS) -
As autoridades de El Salvador chamaram seu embaixador no México, Delmy Cañas, para consultas e pediram ao governo mexicano "um esclarecimento e uma retificação imediatos" depois de anunciar que uma aeronave leve carregada de cocaína havia iniciado sua rota em território salvadorenho.
O ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, afirmou na terça-feira que o avião iniciou sua rota em El Salvador com mais de 425 quilos de cocaína, algo que o presidente salvadorenho Nayib Bukele chamou de "falso" em uma mensagem publicada em sua conta no site de rede social X.
"El Salvador não acoberta criminosos nem tolera o tráfico de drogas, não fizemos isso antes e não faremos agora. Tampouco permitiremos que tentem nos envolver em operações que não nos correspondem nem nos pertencem", disse Bukele.
"Exigimos um esclarecimento e uma retificação imediatos do governo mexicano com relação às declarações emitidas por seu secretário (de segurança), Omar García Harfuch. Da mesma forma, estamos chamando nosso embaixador no México para consulta devido a essa situação", enfatizou.
Bukele argumentou que foi a Costa Rica que relatou em 3 de julho "um rastro suspeito a noroeste de seu território". "Foram eles que ativaram o alerta regional por meio da APAN, uma rede de segurança aérea da América Central", disse ele, antes de acrescentar que "de acordo com seu próprio relatório, o rastro do avião entrou na Costa Rica, desapareceu brevemente do radar e depois reapareceu, indo em direção ao Pacífico".
"Nossos radares não registraram nenhum contato aéreo dentro do nosso espaço aéreo", disse o presidente salvadorenho, que anexou uma imagem da rota, que passa "muito ao sul de El Salvador e da Nicarágua, sem proximidade com o espaço aéreo nacional", algo que foi "confirmado" pelos Estados Unidos.
"O relatório deles é claro: a aeronave sobrevoou o Oceano Pacífico e nunca tocou o território salvadorenho", disse Bukele, que também destacou que "nenhuma mídia ou fonte oficial" publicou as nacionalidades dos detidos no México, que "são mexicanos".
EXPLICAÇÕES DO MÉXICO
Em resposta, Harfuch enfatizou em sua conta no X que as autoridades mexicanas detectaram em 3 de julho "um rastro de interesse 200 quilômetros ao sul de San Salvador, El Salvador", após o que ordenaram o envio de aeronaves para interceptar o aparelho, que pousou "em uma pista de pouso clandestina em Tecomán, Colima".
"Três pessoas foram presas e 427,65 quilos de cocaína e a aeronave foram apreendidos. Os detidos são de nacionalidade mexicana e estão sendo processados por vários crimes", disse ele, antes de mostrar o "respeito e apreço" do México por El Salvador e enfatizar que "essas ações mostram o compromisso do governo mexicano com o combate ao crime organizado".
A mensagem de Harfuch recebeu outra resposta de Bukele, que argumentou que essa informação "embora real, omite o fato de que não há nenhuma indicação de que a aeronave tenha vindo de El Salvador". "Pelo contrário, não era uma aeronave salvadorenha, nem tinha uma tripulação salvadorenha", reiterou.
"Podemos lhe dar o benefício da dúvida e entender que o que foi dito na coletiva de imprensa pode ter sido um mal-entendido, mas aguardamos mais esclarecimentos", insistiu. "Deve ficar absolutamente claro que não há a menor indicação de que essa aeronave tenha saído de nosso país, nem que alguém em El Salvador esteja ligado a esse carregamento de drogas", concluiu.
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