Publicado 18/06/2026 09:49

Rutte, “satisfeito” com a reprimenda dos EUA aos aliados europeus: “Precisamos dizer a verdade uns aos outros”

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, ao lado do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que cumprimenta o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, na sede da OTAN em Bruxelas.
OTAN

BRUXELAS 18 jun. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, mostrou-se “satisfeito” com a reprimenda que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, dirigiu aos aliados europeus por não terem aumentado suficientemente os gastos com defesa e por não terem ajudado Washington em sua ofensiva contra o Irã, argumentando que é bom “dizermos a verdade uns aos outros”.

“Estou feliz que ele tenha feito isso, porque precisamos dizer a verdade uns aos outros. Esta Aliança está passando por uma transformação massiva, provavelmente a maior de sua história, para construir esta OTAN 3.0, e isso também significa que há algumas águas turbulentas. É uma fase complicada”, afirmou ele em uma coletiva de imprensa após a reunião dos ministros da Defesa da OTAN, realizada nesta quinta-feira.

Rutte argumentou que, por trás das críticas do chefe do Pentágono, há a intenção de “manter a pressão” sobre os demais aliados. Durante a troca de opiniões com seus homólogos, o chefe da OTAN explicou que Hegseth criticou o fato de que, apesar dos compromissos dos Estados-membros de investir mais em defesa, “alguns ainda se mostram um pouco reticentes e precisam fazer mais”.

O ex-primeiro-ministro da Holanda defendeu que os Estados Unidos expressaram nesta quinta-feira “um compromisso forte e muito claro com a OTAN”, no âmbito da necessidade de concretizar “uma distribuição mais equitativa de responsabilidades” para a defesa coletiva do Velho Continente.

Questionado sobre algumas das críticas feitas pelo secretário de Defesa norte-americano, como a de que a relutância da Aliança em se envolver no Irã foi “vergonhosa”, limitou-se a responder que não vai comentar “cada palavra que cada aliado diz”, pois “nunca” faz isso.

Ele também justificou a saída de Hegseth antes do término do Conselho do Atlântico Norte, realizado nesta segunda-feira, sem que ele sequer esperasse para se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski: “Ele ficou quase duas horas ouvindo o debate (...) sabíamos que ele precisava partir logo porque tinha compromissos anteriores. Mas ele ficou quase duas horas ouvindo o debate”.

As declarações de Rutte ocorrem depois que Hegseth criticou, nesta quinta-feira, vários parceiros europeus da OTAN por se recusarem a disponibilizar bases, portos e autorizações de sobrevoo para as operações militares americanas contra o Irã, chegando a acusá-los de colocar “em risco os filhos e as filhas da América” durante o conflito e classificando de “vergonhosa” a recusa deles em oferecer ajuda a Washington.

Durante sua intervenção no Conselho do Atlântico Norte, ele chegou a dizer que a Aliança “tem sido um tigre de papel e uma rua de mão única” há muitos anos, e também criticou os aliados europeus por darem ênfase à “igualdade de gênero” e às “mudanças climáticas” em vez de “tanques e caças”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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