A UE precisa urgentemente de uma maior “desregulamentação” para acelerar o crescimento das suas capacidades de defesa BRUXELAS 26 jan. (EUROPA PRESS) - O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, instou a União Europeia a dar maior flexibilidade à Ucrânia para usar o empréstimo de 90 bilhões que os Estados-membros concederão a Kiev para cobrir suas necessidades de financiamento em 2026 e 2027, permitindo a compra de armamento dos Estados Unidos, uma vez que a UE não pode "nem de longe" cobrir as necessidades de defesa ucranianas.
Foi o que ele solicitou durante sua intervenção nesta segunda-feira em Bruxelas nas comissões de Relações Exteriores e de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu, onde voltou a insistir na importância de os Estados-membros da Aliança Atlântica aumentarem seus gastos com defesa para 5% do PIB.
Rutte congratulou-se com o empréstimo que 24 países da UE concederão conjuntamente à Ucrânia, num montante que ascende a 90 mil milhões de euros, e para o qual a Comissão Europeia propôs destinar dois terços — 60 mil milhões — para despesas militares, com prioridade de compra à indústria ucraniana e europeia; e os restantes 30 mil milhões para cobrir outras necessidades orçamentais. “A UE está a realizar um trabalho fundamental neste sentido. O pacote de empréstimos de 90 mil milhões de euros fará uma enorme diferença para a segurança e a prosperidade da Ucrânia, mas exorto-vos veementemente a garantirem flexibilidade na forma como estes fundos podem ser gastos. E que não sejam demasiado restritivos com as reservas da UE”, salientou em seguida. Mais concretamente, referiu-se às capacidades da indústria de defesa europeia, salientando que, embora a UE as esteja a melhorar com uma variedade de investimentos, “de momento, não consegue fornecer nem de longe o suficiente para que a Ucrânia se defenda”.
“Portanto, ao processar este empréstimo, encorajo-os a manter as necessidades da Ucrânia como prioridade. Claro, imagino que se puderem comprá-lo na Europa, ótimo. Se a base for a indústria de defesa da Ucrânia, ótimo. Mas todos sabemos que sem este fluxo de armamento proveniente dos Estados Unidos, não podemos manter a Ucrânia na luta. Literalmente, não”, acrescentou. Ele deu como exemplo que Washington está atualmente fornecendo interceptores “essenciais” para derrubar “o máximo possível” dos mísseis que caem sobre Kiev, Kharkiv e outras cidades “noite após noite”.
Dito isso, Rutte destacou que a OTAN e a UE “estão agora trabalhando lado a lado, tanto em Bruxelas quanto em Kiev, para ajudar a Ucrânia”, e afirmou que a coordenação da ajuda militar, o treinamento das Forças Armadas ucranianas e os esforços para impulsionar a indústria de defesa ucraniana “são muito complementares”. É URGENTE MAIOR DESREGULAMENTAÇÃO
Rutte voltou a defender a necessidade de os Estados da OTAN aumentarem os seus gastos com defesa para 5% do seu PIB, tal como acordado na última cimeira da Aliança realizada em 2025, em Haia, ao mesmo tempo que alertou que “a época em que” a Europa deixava os Estados Unidos “assumirem grande parte do fardo” da sua segurança “simplesmente terminou”. “É justo que a Europa e o Canadá assumam uma maior responsabilidade pela sua própria segurança, e a boa notícia é que estão a fazê-lo”, afirmou o também ex-primeiro-ministro holandês, classificando como “crucial” que a defesa europeia seja cada vez “mais capaz”.
Para isso, em sua opinião, a UE deve promover “especialmente uma desregulamentação”, para poder se concentrar “realmente” em melhorar suas capacidades de defesa. Ele citou como exemplo a OTAN, que “demonstrou” sua “eficácia” no que diz respeito a “normas, estruturas e procedimentos”.
“Meu argumento seria que sejamos práticos e realistas no que diz respeito à nossa segurança. Temos que aproveitar ainda mais nossas respectivas forças, a OTAN e a UE”, concluiu o secretário-geral da Aliança Atlântica.
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