Publicado 09/04/2026 15:15

Rutte admite tensões, mas defende que a Europa faz “quase sem exceção” tudo o que os EUA pedem no Irã

8 de abril de 2026, Washington, D.C., Estados Unidos: O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte (à esquerda), se reúne com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na Sala dos Tratados do Edifício Harry S. Truman do Departamento de Estado, em 8 de abril
Andrew Leyden / Zuma Press / ContactoPhoto

Ele considera que os aliados europeus foram “um pouco lentos”, embora destaque suas iniciativas para garantir a navegação no Estreito de Ormuz

BRUXELAS, 9 abr. (EUROPA PRESS TELEVISÃO) -

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, admitiu que existem tensões entre os parceiros da Aliança Atlântica e que todos estão cientes da “profunda mudança” pela qual a organização está passando sob a “liderança” de Donald Trump, embora tenha defendido que os aliados europeus, “quase sem exceção”, estão fazendo “tudo o que os Estados Unidos estão pedindo” para a guerra no Oriente Médio.

Foi o que ele afirmou em um discurso antes de participar de um fórum de debate organizado pela Fundação Presidencial Ronald Reagan, realizado em Washington D.C., no qual o chefe da OTAN voltou a constatar que há uma “mudança de mentalidade” entre os aliados europeus, que agora compreendem a necessidade de passar de “uma codependência pouco saudável” para uma aliança transatlântica “baseada em uma verdadeira parceria” com os Estados Unidos.

“Esta aliança não finge que nada está acontecendo (...). Os aliados reconhecem, e eu reconheço, que estamos em um período de profunda mudança na Aliança Transatlântica”, indicou Rutte em suas primeiras declarações públicas depois que Trump ameaçou sair da OTAN por não ter estado presente quando precisou dela durante sua ofensiva contra o Irã.

Para o ex-primeiro-ministro da Holanda, “alguns aliados foram um pouco lentos” quando Washington solicitou apoio logístico no Irã, “para dizer o mínimo”. Para ser justo, prosseguiu ele, “eles também ficaram um pouco surpresos” porque o governo Trump não os avisou sobre a ofensiva conjunta lançada com Israel no último dia 28 de fevereiro.

Apesar disso, Rutte sustentou que o que vê hoje é que os aliados europeus “estão fornecendo agora um apoio maciço” em logística ou no uso de suas bases. “Quase sem exceção, os aliados estão fazendo tudo o que os Estados Unidos estão pedindo”, acrescentou.

Ele citou como exemplo que os aliados estão colaborando para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e reduzir sua capacidade de desestabilização. Entre eles, destacou o Reino Unido por “liderar uma coalizão para garantir a livre navegação no estreito de Ormuz” e outros aliados europeus por liderarem “operações no flanco oriental, no Báltico e no Ártico”.

“Quando um avião russo cruzou o espaço aéreo da Estônia, foram aviões europeus que o interceptaram. E quando drones russos entraram na Polônia, foi um F-35 holandês que os derrubou. Uma aliança não pode ser uma via de mão única. Não foi assim quando tropas americanas, europeias e canadenses lutaram juntas no Afeganistão. E hoje continuam treinando e se mobilizando juntas”, acrescentou.

“NÃO HÁ RETROCESSO” NOS GASTOS

O chefe da Aliança Atlântica também lembrou que, desde a cúpula da OTAN em Haia no ano passado, onde os membros concordaram em destinar 5% de seu PIB aos gastos com defesa, “a Europa está assumindo uma parte maior e mais justa da tarefa de prover sua defesa convencional”.

"Não haverá marcha atrás nisso, nem deveria haver", indicou o político holandês, que se mostrou confiante de que "uma Europa mais forte e uma OTAN mais forte" não darão como garantida a liderança norte-americana que, em sua opinião, foi uma suposição dos países europeus após o fim da Guerra Fria, quando, “convencidos de que a paz era permanente”, não exigia o investimento em defesa “que agora se sabe ser essencial”.

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