Europa Press/Contacto/Yegor Aleyev
MADRID, 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, considera que, neste momento, é impossível estabelecer um diálogo com a Europa, pois está convencido de que ela participa ativamente da guerra na Ucrânia com o objetivo final de se expandir, em particular “por meio de instituições como a OTAN e a União Europeia”, utilizando como “plataforma” o “regime” do presidente ucraniano, Volodomir Zelenski.
Lavrov expôs sua opinião sobre a possível aproximação que os líderes europeus vêm considerando há semanas por meio de um artigo de opinião para o veículo “Politico”, publicado finalmente no site do Ministério das Relações Exteriores porque, lamenta ele, o portal decidiu cancelá-lo por motivos não especificados. Nele, ele denuncia que qualquer tentativa europeia de negociar com a Rússia não passa de “uma tática enganosa” e “uma fachada diplomática para a expansão geopolítica do Ocidente e de suas instituições, principalmente a OTAN e a União Europeia, para o leste, em direção às fronteiras da Rússia”.
Lavrov faz uma retrospectiva histórica da “contribuição inegável da Europa” para a guerra na Ucrânia desde que decidiu impulsionar a chamada Revolução Laranja em Kiev, em 2004, uma crise política decorrente da polarização reinante entre um bloco pró-Rússia e outro pró-Europa, que se tornou o precedente imediato da situação atual. Lavrov acusa o que descreve como o “Ocidente coletivo” de “subornar políticos e partidos inteiros” para “criar uma base antirussa na Ucrânia, reescrever a história, fomentar o nacionalismo ucraniano e fazer todo o possível para distanciar a Ucrânia da Rússia”.
A “conduta pérfida” europeia, em particular a da Alemanha, França e Polônia, rejeitou uma “solução de compromisso” proposta pela Rússia para impedir o polêmico Acordo de Associação com a União Europeia, cuja assinatura o então presidente Viktor Yanukovich adiou, apesar das “pressões de Bruxelas”. Naquele momento, segundo o relato de Lavrov, “os europeus provocaram distúrbios nas ruas, seguidos por um golpe de Estado em Kiev, em fevereiro de 2014”.
OS ACORDOS DE MINSK, UMA TÁTICA DE ADIAMENTO
Lavrov também acusa os líderes europeus, em particular a então chanceler alemã Angela Merkel e o então presidente francês François Hollande, de sabotarem os acordos de Minsk de 2015, concebidos para pôr fim ao conflito em curso no leste da Ucrânia, com o objetivo de “ganhar tempo para fortalecer as Forças Armadas ucranianas, equipando-as com armamento ocidental”.
A gota d’água, para Lavrov, foi a rejeição, em janeiro de 2022, por parte dos Estados Unidos e da OTAN, de uma proposta russa para celebrar acordos juridicamente vinculativos sobre garantias mútuas de segurança. Um mês depois, a Rússia invadiu a Ucrânia no que Moscou descreveu como uma “operação militar especial”.
NEGOCIAÇÕES INCOMPATÍVEIS
As negociações também são impossíveis devido ao “processo paralelo de agressão jurídica” que a Europa está empreendendo por meio do Conselho da Europa e de seus procedimentos para responsabilizar a Rússia pelos danos de guerra por meio de uma “comissão de reclamações” e de um “tribunal especial”.
Lavrov denuncia igualmente a detenção, “por ordem da União Europeia”, de navios mercantes em alto mar, supostamente pertencentes à chamada “frota fantasma” que a Rússia utiliza para contornar as sanções comerciais internacionais, enquanto “o Ocidente faz vista grossa aos ataques terroristas perpetrados pelas Forças Armadas ucranianas no Mar Negro e no Mediterrâneo”.
Por tudo isso, Lavrov considera que o verdadeiro objetivo dos líderes europeus não são as negociações com a Rússia, mas “salvar o regime” de Zelenski; nada mais do que uma “plataforma para continuar a luta” contra a Rússia. A Europa, argumenta ele, quer apenas “congelar” o conflito sem abordar o que a Rússia vem descrevendo há anos como as “causas profundas” da guerra: o status das regiões do leste da Ucrânia sob administração russa ou a implantação da língua russa, entre outras.
“Uma Europa unida continua sonhando com a expansão, com a intenção de desenvolver a Ucrânia e a Moldávia e incorporar a Armênia à sua órbita. A OTAN se expandiu para o leste, absorvendo a Finlândia e a Suécia”, lamenta Lavrov; uma situação que “representa graves riscos para a segurança mundial, já que um confronto direto entre a OTAN e a Rússia poderia escalar rapidamente até se transformar em um conflito nuclear com consequências catastróficas”.
RÚSSIA, ABERTA AO DIÁLOGO EM SEUS TERMOS
Lavrov insiste, por fim, que “a Rússia não se recusa a dialogar com ninguém”, mas, dada a sua narrativa, “o diálogo com a Europa não pode ocorrer como se ela fosse um observador imparcial” e considera imperativo o respeito às exigências de Moscou: garantias confiáveis de que “a segurança da Rússia em suas fronteiras ocidentais, bem como a honra e a dignidade de seus cidadãos e compatriotas, incluindo seu direito à língua russa e à fé ortodoxa, sejam garantidas de forma confiável”.
“A contínua expansão militar, política e econômica do Ocidente é inaceitável, pois contradiz os imperativos de um mundo multipolar”, afirma Lavrov.
Um diálogo construtivo requer “restaurar a confiança, minada pelas ações antirussas do Ocidente e da Europa na era pós-Guerra Fria” e “medidas práticas que demonstrem uma rejeição sincera ao uso da diplomacia como pretexto para fins expansionistas”.
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