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MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
Autoridades russas receberam bem o "tapa na cara" visual dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao exibir diante de seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e de vários líderes europeus um mapa da Ucrânia que mostra as áreas ocupadas pela Rússia, o que alguns analistas veem como uma forma de pressionar Kiev a aderir às aspirações territoriais de Moscou.
Para a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, o mapa exibido no Salão Oval durante a última visita de Zelensky "foi um tapa tão forte na cara que deveria ter trazido à razão" aqueles que insistem em falar sobre resolver a guerra no campo de batalha "sem entender do que estão falando".
"Esse mapa está nos olhos de Zelensky todas as noites, assim como nos olhos dos chefes de Estado da UE e da OTAN", disse Zakharova em entrevista a agências estatais russas, na qual afirmou que o presidente ucraniano deveria se sentir de alguma forma "abalado" por essa imagem gráfica.
"Acho que será muito difícil alguém finalmente cair em si, mas pelo menos fazer com que ele reaja de alguma forma, para mostrar a ele e a todos aqueles que o protegem o quanto eles perderam", disse ela.
Uma das imagens dessa reunião no Salão Oval mostra Zelenski e outros líderes europeus, como o presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, ou o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, entre outros, assistindo a um Trump falando de sua mesa e ladeado por um grande mapa da Ucrânia com as áreas ocupadas sombreadas em vermelho e com porcentagens.
De acordo com o mapa de Trump, a Rússia controla 99% de Lugansk e 76% de Donetsk. Fora de Donbas, 73% da vizinha Zaporiyia e Kherson, que faz fronteira com a península da Crimeia, já anexada em 2014. Esses são números sobre os quais há um amplo consenso internacional.
Para tornar mais evidente a importância que Trump atribuiu ao mapa, em comentários posteriores à Fox News, ele voltou a mencionar a questão, enfatizando que "uma grande parte" do território ucraniano foi tomada. "Acho que todo mundo já viu o mapa", disse ele.
Para alguns analistas, a mensagem da Casa Branca é clara. Trata-se de um território que não está mais ao alcance da Ucrânia e, portanto, Zelensky deve ceder às reivindicações do presidente russo, Vladimir Putin, que já ofereceu um acordo de paz em troca da tomada de todo o Donbas, que ele agora controla quase em sua totalidade.
Essa é uma região rica em minerais - que até o início da guerra em Donbas representava 16% da economia do país - mas que também tem uma grande população de língua russa, especialmente em Donetsk e Lugansk, que tem sido a raiz de grande parte do conflito.
O Kremlin sempre justificou a invasão como uma forma de se proteger contra a perseguição que as forças ultranacionalistas ucranianas vinham promovendo contra essas comunidades, especialmente depois de 2014.
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