Publicado 15/09/2026 10:45

A Rússia rejeita as acusações relativas a um ataque a um trem ocorrido após outro em que viajavam políticos europeus

Archivo - Arquivo - A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova
MINISTERIO DE ASUNTOS EXTERIORES DE RUSIA

Moscou afirma que não ataca alvos civis e pede que se “avaliem com sensatez os riscos envolvidos” em viajar para a Ucrânia

MADRID, 15 set. (EUROPA PRESS) -

O governo da Rússia rejeitou nesta terça-feira as acusações contra Moscou por um ataque a um trem em um ponto da Ucrânia próximo à fronteira com a Polônia, logo após a passagem pela região de outro trem no qual viajavam políticos ocidentais, e ressaltou que Moscou ataca apenas alvos “militares” no âmbito da invasão do país, iniciada em fevereiro de 2022.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou a “estranha reação” por parte do ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andri Sibiga, e de “certos políticos e diplomatas europeus”, antes de destacar que as tropas russas, “ao contrário das Forças Armadas ucranianas”, não combatem “contra a população civil”.

Assim, ela afirmou que o referido ataque “foi lançado exclusivamente contra instalações militares, transporte militar e infraestrutura logística utilizada pelo regime de Kiev, inclusive no oeste da Ucrânia”. “Esses ataques, segundo dados objetivos, foram altamente eficazes e eficientes”, defendeu.

“Advertimos repetidamente que os nós ferroviários, os depósitos e o material rodante, em particular as locomotivas, que são utilizados ativamente para transportar armas ocidentais destinadas às Forças Armadas da Ucrânia, são alvos militares legítimos”, destacou ela, de acordo com um comunicado publicado pelo ministério.

Zakharova criticou, portanto, “a campanha de relações públicas” lançada “em torno da viagem de certas figuras políticas” que viajavam por essa rota, entre elas os ex-primeiros-ministros britânico e sueco Boris Johnson e Carl Bildt, argumentando que o objetivo da mesma “é tentar solicitar novamente suprimentos militares” para a Ucrânia, “intimidando o cidadão europeu comum com uma suposta ‘ameaça russa às portas da OTAN’”.

Nesse sentido, ela enfatizou que Moscou enviou, em maio, notas por meio de suas embaixadas “exortando cidadãos estrangeiros, incluindo diplomatas e suas famílias, a deixarem Kiev diante de ataques sistemáticos e constantes por parte das Forças Armadas da Rússia contra instalações do complexo militar-industrial da Ucrânia” e outros alvos.

“Também temos chamado a atenção, há muito tempo, para vários ‘turistas políticos’ ocidentais e personalidades importantes, diante do fato de que o regime de (o presidente ucraniano, Volodimir) Zelenski os explora cinicamente como ‘escudos humanos’ para proteger seus comboios militares”, destacou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

“Antes de algumas dessas viagens, recebemos solicitações por meio de canais diplomáticos para garantir a passagem segura de determinadas pessoas”, revelou ela, ao mesmo tempo em que argumentou que Moscou responde “de forma sistemática” que suas advertências “continuam em vigor” e que “os políticos e diplomatas ocidentais devem avaliar com sensatez os riscos que (essas viagens) acarretam”.

Dessa forma, Zakharova insistiu que “ninguém pode garantir a segurança dessas visitas, que têm como objetivo agradar a Kiev”, antes de ressaltar que “esses funcionários ocidentais ignoraram flagrantemente as advertências de seus próprios governos para não viajarem ‘sob nenhuma circunstância’ para essa república pós-soviética”, em referência à Ucrânia.

O ATAQUE

O ataque, lançado no domingo contra um ponto localizado próximo à fronteira com a Polônia, atingiu um trem que estava em um trecho da ferrovia usado pouco antes por um trem no qual viajavam Johnson e Bildt, juntamente com outros diplomatas europeus, após participarem de uma conferência de segurança realizada em Kiev.

Em seguida, Johnson questionou a “lógica” que poderia levar o presidente russo, Vladimir Putin, a “explodir uma locomotiva parada na fronteira com a Polônia”. “É o tipo de ataque arbitrário e sem sentido que os ucranianos enfrentam diariamente”, denunciou ele, antes de pedir que fossem entregues à Ucrânia os sistemas de defesa antiaérea de que “eles precisam”.

Por sua vez, as autoridades ucranianas informaram que 206 pessoas viajavam no trem atacado e ressaltaram que não houve feridos. Os vídeos divulgados nas redes sociais mostram passageiros fugindo do local.

Nesse sentido, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, denunciou o caráter “deliberado” desse ataque. “Os homens e mulheres ucranianos lutam dia após dia justamente para impedir que esses ataques cheguem mais para dentro da Europa. Eles dão suas vidas e não permitem que a agressão se espalhe”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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