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MADRID, 15 ago. (EUROPA PRESS) -
A Rússia solicitou aos Estados Unidos e à Turquia que esclareçam um possível envio em grande escala de munições de fragmentação, mísseis balísticos táticos ATACMS e lançadores múltiplos de foguetes para a Ucrânia, conforme consta de um item registrado na ata do Congresso dos Estados Unidos datada de 6 de agosto.
O registro legislativo informa a aprovação de uma transferência permanente de 70 mísseis balísticos táticos M39 ATACMS, 12 lançadores múltiplos de foguetes M270 (MLRS), 2.524 foguetes M26 de 227 mm e 47.000 projéteis de artilharia de munição de fragmentação M509A1 de 203 mm “ao Governo da Ucrânia por meio de entidades privadas turcas”.
Dada a magnitude do envio e o fato de que a munição de fragmentação é proibida pelo direito internacional devido ao seu caráter indiscriminado, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, confirmou que Moscou “solicitou esclarecimentos a Washington e Ancara sobre as informações divulgadas pelo Congresso dos Estados Unidos”.
Zakharova denunciou que se trata de um “arsenal impressionante” e que “ainda não é tarde demais para que os Estados Unidos e a Turquia reavaliem com sensatez” seus planos.
Zakharova assegurou que o fornecimento dessas armas “não terá nenhum impacto significativo” no desfecho da invasão russa da Ucrânia, mas alertou para os enormes danos colaterais que esse armamento acarretará, não apenas em termos de vítimas civis, mas também nas relações diplomáticas entre Moscou, Washington e Ancara.
“As tentativas de utilizar a retórica da manutenção da paz enquanto se fornecem armas aos nazistas ucranianos minam inevitavelmente a confiança mútua, especialmente diante das repetidas garantias dos representantes turcos de que a Turquia está evitando o fornecimento de armas ‘letais’ a Kiev”, criticou a porta-voz.
Na última sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, expressou sua convicção de que os Estados Unidos estavam cada vez mais envolvidos na guerra na Ucrânia e pediu a Washington que explicasse esse comportamento, que contradiz os esforços de aproximação entre os presidentes russo e norte-americano, Vladimir Putin e Donald Trump.
“Os Estados Unidos estão muito mais envolvidos na organização e execução de ataques em território russo contra alvos civis”, afirmou Lavrov em entrevista concedida nesta sexta-feira à radiotelevisão pública do país, a VGTRK.
Por isso, o ministro das Relações Exteriores fez “várias perguntas” ao Departamento de Estado dos Estados Unidos para que este compartilhe dados de inteligência sobre suas últimas atividades relacionadas à Ucrânia.
“Aguardaremos uma resposta”, acrescentou Lavrov a esse respeito, embora tenha procurado moderar o tom de seu pedido, que de forma alguma pretende alterar o curso das negociações que está mantendo com os dois enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner. “Nós não emitimos ultimatos”, concluiu.
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