Europa Press/Contacto/Sergei Fadeichev
MADRID, 26 mar. (EUROPA PRESS) -
O governo russo negou nesta quinta-feira que esteja transmitindo informações de inteligência ao Irã contra alvos dos Estados Unidos no Oriente Médio, após notícias divulgadas pela mídia nesse sentido e horas depois de a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, ter feito referência ao assunto antes de uma reunião com ministros do G7 realizada a uma hora da capital francesa, Paris.
“Temos relações muito estreitas com o Irã, incluindo um acordo de armas. Fornecemos equipamento militar ao Irã, mas não podemos aceitar essas acusações de que estamos repassando informações de inteligência ao Irã”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, em entrevista concedida à emissora de televisão francesa France 2.
“O presidente (russo, Vladimir) Putin e seu porta-voz, Dimitri Peskov, responderam a esses rumores, amplificados pela mídia, de que a Rússia estaria fornecendo inteligência”, lembrou o chefe da diplomacia russa, que descreveu o Irã como “parceiro estratégico”.
Suas declarações foram feitas horas depois de Kallas ter afirmado que “a Rússia está ajudando o Irã com informações de inteligência para localizar e matar os americanos, e a Rússia também está apoiando o Irã agora com drones para que possam atacar os países vizinhos e também as bases militares americanas” no Oriente Médio.
A líder estoniana instou, por isso, o governo de Donald Trump a se envolver no conflito em território ucraniano, pois as guerras no Irã e na Ucrânia “estão muito interligadas”. “Se os Estados Unidos querem que a guerra no Oriente Médio cesse e que o Irã pare de atacá-los, também devem pressionar a Rússia para que não possa ajudá-los nisso”, acrescentou em declarações à imprensa antes do encontro com representantes dos países do G7.
O ministro Lavrov, que afirmou que o que Moscou defende é “antes de tudo, o Direito Internacional”, argumentou que a diferença entre o conflito no Oriente Médio — desencadeado pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro — e o da Ucrânia — com a invasão russa no início de 2022— reside no fato de que “o Irã não violou as regras, enquanto a Ucrânia violou tudo o que podia violar com seus protetores ocidentais”.
“A República Islâmica não diminuiu em nada seus compromissos, especialmente no que diz respeito ao programa nuclear. Quando esse programa foi assinado em 2015 e aprovado pelo Conselho de Segurança, foi posteriormente desmantelado pelo presidente (Donald) Trump durante seu primeiro mandato, em 2017. Os Estados Unidos simplesmente se retiraram do programa e deixaram de cumprir seus compromissos”, afirmou ao ser questionado se Moscou está fazendo em Kiev o mesmo que Washington em Teerã, violando o Direito Internacional.
Ainda nesta quinta-feira, Peskov instou os jornalistas a “não darem atenção” às “mentiras” e “falsidades na mídia”, após ser questionado sobre um artigo do ‘Financial Times’ que, citando fontes de inteligência ocidentais, indicava que a Rússia se preparava para enviar drones ao Irã.
As autoridades do Irã confirmaram, em seu último balanço, mais de 1.500 mortos pela ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, embora a organização não governamental Human Rights Activists in Iran, com sede nos Estados Unidos, tenha elevado o número para mais de 3.000 mortos.
A ofensiva foi lançada em meio a um processo de negociações entre os Estados Unidos e o Irã para tentar chegar a um novo acordo nuclear, o que levou Teerã a responder atacando território israelense e interesses americanos em países do Golfo Pérsico, incluindo bases militares.
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