Publicado 18/11/2025 08:08

A Rússia descarta que a entrega de caças franceses à Ucrânia mudará a situação no campo de batalha

Peskov acredita que o último escândalo de corrupção no governo ucraniano terá consequências

RÚSSIA, MOSCOU - 12 DE NOVEMBRO DE 2025: O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, fala com jornalistas durante uma reunião entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, no Kremlin de Moscou
Europa Press/Contacto/Artyom Geodakyan

MADRID, 18 nov. (EUROPA PRESS) -

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, descartou que a entrega francesa à Ucrânia de até cem aviões de combate Rafale F4 mudará a situação no campo de batalha, um argumento já apresentado por Moscou para minimizar a importância do envio de arsenal militar a Kiev, mas que aumentará o militarismo.

Para Peskov, esse novo acordo de armas - ratificado na segunda-feira em Paris pelos presidentes Emmanuel Macron e Volodymyr Zelensky - faz parte da posição que a França vem adotando desde o início do conflito, o que "não contribui em nada para a paz", informa a Interfax na terça-feira.

"A França continua a armar o regime de Kiev, tanto agora quanto com a intenção de continuar a fazê-lo amanhã", disse o porta-voz do Kremlin, que criticou o presidente Macron por "alimentar o sentimento bélico e militarista".

Mesmo assim, ele ressaltou que a venda dessas 100 aeronaves, com base em um acordo comercial de dez anos que também inclui o compromisso da Ucrânia de adquirir sistemas de defesa aérea, mísseis e drones, não influenciará a guerra.

GOVERNO UCRANIANO CORRUPÇÃO

Peskov também avaliou o mais recente escândalo de corrupção no governo ucraniano, que já custou a renúncia de dois de seus ministros, vários mandados de prisão para altos funcionários da empresa estatal de energia Energoatam e até mesmo para ex-parceiros próximos do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

"É difícil dizer aonde isso vai levar, mas uma coisa é certa: é improvável que esse escândalo fique sem consequências", disse Peskov, que entende a relutância que pode vir da Europa diante das demandas econômicas da Ucrânia. "É óbvio, a priori, que parte desse dinheiro será roubado", disse ele.

"Já ouvimos vozes de algumas capitais europeias dizendo que agora pensarão dez vezes antes de enviar um centavo sequer para Kiev", disse o porta-voz, que poderia estar fazendo alusão a líderes como o húngaro Viktor Orbán.

A empresa estatal de energia Energoatam está no epicentro do maior escândalo de corrupção dentro do governo ucraniano desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, embora durante esse período tenha havido outros episódios, como o esquema descoberto no início de 2023 que envolveu o Ministério da Defesa.

Nessa ocasião, tudo gira em torno de um esquema no qual até 100 milhões de dólares foram desviados e incluía subornos de empresas para ganhar contratos para a construção de defesas para usinas de energia ucranianas. Timur Mindich, proprietário da produtora de televisão que tornou Zelenski famoso durante seu tempo como comediante, estava por trás disso.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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