Europa Press/Contacto/Sergei Savostyanov
MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou nesta quinta-feira o embaixador de Luxemburgo em Moscou, Thomas Reisen, devido à exumação dos restos mortais do histórico líder ultranacionalista ucraniano, Andri Melnik, e seu subsequente traslado para Kiev, onde foi enterrado com honras, ao lado dos restos mortais de sua esposa.
A porta-voz do ministério, Maria Zakharova, destacou que, sob o pretexto de devolver seus “heróis” à Ucrânia, foram repatriados os restos mortais de um declarado colaborador nazista e “criminoso de guerra”, desrespeitando assim os milhões de vítimas da Segunda Guerra Mundial.
Segundo a agência de notícias russa TASS, Zakharova aproveitou novamente para ressaltar que esse “caráter neonazista do regime de Kiev” justifica a chamada “operação militar especial” do governo russo na Ucrânia, como o Kremlin se refere à invasão do país vizinho iniciada em 2022.
A Rússia justificou o ataque à Ucrânia com a defesa das regiões de língua russa no leste e sul do país contra uma suposta perseguição, não apenas por parte do Estado, mas também por parte de grupos paramilitares ultranacionalistas que, aos olhos da Rússia, agiam com impunidade nessas zonas.
Nesta segunda-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, presidiu a cerimônia de reenterro de Melnik, colaborador da Alemanha nazista, uma semana depois que seus restos mortais, juntamente com os de sua esposa, Sofia, foram repatriados de Luxemburgo.
Melnik fez parte da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (UON) — proibida na Rússia —, uma controversa organização política de tendência fascista, exaltada por sua luta contra o domínio soviético e a ocupação polonesa, tendo sido colaborador da Alemanha nazista durante várias fases da Segunda Guerra Mundial.
Acusado de estar por trás do massacre de judeus e poloneses durante esse período, acabou sendo repudiado pelos próprios nazistas, que se recusavam a reconhecer um Estado ucraniano independente e o mantiveram preso por alguns meses em um campo de concentração em 1944.
A transferência dos restos mortais de Melnik faz parte das políticas de repatriação que o governo de Zelenski planeja implementar, as quais incluem outras figuras controversas do nacionalismo ucraniano, como Yevguén Konovalets.
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