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Critica que a OTAN use o “conflito interno” com a Groenlândia para alimentar uma “militarização agressiva do Ártico” BRUXELAS 9 fev. (EUROPA PRESS) -
O embaixador da Rússia na Bélgica, Denis Gonchar, advertiu a União Europeia que, se mantiver suas declarações e ações hostis contra Moscou, não haverá conversações diretas sobre uma paz negociada na Ucrânia, como o Kremlin mantém neste momento em um acordo tripartite com Kiev e os Estados Unidos na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dabi.
Foi o que afirmou o diplomata russo em entrevista à agência de notícias russa Ria Nóvosti, ecoando a crescente vontade dos Estados-membros da União Europeia de abrir um diálogo direto com o Kremlin para pôr fim à invasão russa da Ucrânia, tudo isso enquanto a Comissão Europeia e os 27 mantêm, aos olhos de Moscou, sua política “hostil” e “pouco construtiva”.
“Temendo ficar à margem da história e fora do processo de resolução do conflito ucraniano apoiado pela administração de Donald Trump, voltam a falar da necessidade de dialogar com Moscou. Surge a pergunta: a partir de que posições? Se forem as mesmas de até agora, então, com todo o respeito, não há nada a discutir”, advertiu o representante russo.
Gochar lamentou que, apesar dos apelos de alguns países — como França ou Itália — a Bruxelas para designar um enviado especial para a Ucrânia, “o tom geral das declarações e ações” do bloco comunitário continue sendo “extremamente pouco construtivo e, às vezes, até hostil” em relação a Moscou.
Ele deu como exemplo a “política agressiva fracassada” dos 27 contra Moscou com seu “bastão sancionatório” ou com os planos de fornecer armas à Ucrânia para dissuadir a Rússia de continuar sua expansão no resto do país liderado por Volodimir Zelenski.
O embaixador russo na Bélgica continuou dizendo que, “infelizmente”, os países da UE perderam a compreensão da diplomacia como a busca de acordos, mesmo quando não há concordância. Em vez dessa “abordagem racional”, ele sustentou que Bruxelas optou pelo “ditame e paternalismo” e pela “ucranização de qualquer assunto”. INVIÁVEL DESLOCAR TROPAS DA OTAN PARA A UCRÂNIA
Gochar também criticou a OTAN por sua política “absolutamente defeituosa e sem perspectivas” na Ucrânia, pois, apesar de ter “percebido que não é possível infligir uma derrota estratégica à Rússia”, continua em sua “obstinação” de fornecer armas e equipamentos a Kiev.
Da mesma forma, referiu-se ao que classificou como “a desconcertante e total ignorância” das causas que levaram a Rússia a invadir a Ucrânia, entre elas a possível adesão de Kiev à OTAN ou a “violação” dos direitos dos cidadãos russófonos.
Depois de afirmar que o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, garantiu à Ucrânia a sua adesão à aliança — o que não aconteceu —, referiu-se às "garantias de segurança" para Kiev acordadas na reunião realizada em janeiro pela Coalizão de Voluntários, argumentando que para a Rússia é "absolutamente inaceitável" o "controle ocidental" do país governado por Zelenski.
“Os planos de enviar contingentes da OTAN e armamento ofensivo para o território do país, que a chamada Coalizão de Voluntários divulga incessantemente, são inviáveis desde o início. É evidente que, sem uma revisão dessa abordagem sem saída, a UE e a OTAN não devem contar com sua participação no processo de negociação”, acrescentou.
USO DA GROENLÂNDIA PARA MAIOR MILITARIZAÇÃO Ele também acusou a Aliança Atlântica de usar o “conflito interno” na Groenlândia pelas pretensões americanas sobre a ilha pertencente à Dinamarca para “alimentar a suposta ameaça russa e chinesa” e “como pretexto para uma militarização agressiva do Ártico”.
“Em vez de buscar formas de desaceleração, por exemplo, no âmbito do Conselho do Ártico, os membros da OTAN apenas agravam a situação, apelando ao envio de contingentes e missões e à intensificação da atividade de treinamento e manobras”, analisou, lembrando que recentemente foi iniciado o planejamento para a operação “Sentinela do Ártico”.
Para o embaixador russo na Bélgica, “tudo isso é extremamente perigoso” e pode transformar o Ártico, assim como o Báltico, “de um espaço de paz e cooperação em um cenário de potencial conflito militar”. Além disso, ele alertou que “qualquer tentativa de ignorar” os interesses da Rússia no Ártico “não ficará sem resposta”.
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