Publicado 12/02/2026 07:15

A Rússia afirma que Macron busca um diálogo com Moscou para "interferir" nas negociações sobre a Ucrânia.

Archivo - Arquivo - 21 de dezembro de 2025, Rússia, São Petersburgo: O presidente russo Vladimir Putin participa de uma reunião do Conselho Econômico Supremo da Eurásia na Biblioteca Presidencial Boris Yeltsin. Foto: Sergei Bulkin/TASS via ZUMA Press/dpa
Sergei Bulkin/TASS via ZUMA Pres / DPA - Arquivo

Moscou sublinha que “prefere julgar alguns parceiros não pelas suas palavras e promessas, mas pelas suas ações” MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) -

O governo da Rússia afirmou nesta quinta-feira que o anúncio do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre sua disposição de retomar o diálogo com Moscou representa uma tentativa de “interferir” no processo de negociações na Ucrânia e “impor opções” nesse processo, após duas rodadas de negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.

“Temos todos os motivos para acreditar que por trás disso não está tanto a disposição de negociar seriamente com nosso país, respeitando nossos interesses fundamentais, mas o desejo de interferir no processo de negociação e tentar nos impor as opções de solução promovidas pela União Europeia (UE) e pela chamada Coalizão de Voluntários”, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zajarova.

“Não é segredo que foi a parte francesa que destruiu as relações bilaterais russo-francesas e minou a confiança em sua própria capacidade de negociar”, disse ela, antes de lembrar que “há negociações em andamento para o envio de contingentes militares da OTAN, incluindo tropas francesas, à Ucrânia, sob um disfarce ou outro”. “Poucos Estados europeus estão fazendo tanto para minar os esforços de negociação russo-americanos quanto a França”, criticou.

Nesse sentido, Zajarova destacou que Moscou “prefere julgar alguns parceiros não por suas palavras e promessas, mas por suas ações”, ao mesmo tempo em que enfatizou que “o impulso (de Macron para retomar as conversações) só pode ser aplaudido se os franceses realmente corrigirem seus erros”, segundo informou a agência de notícias russa Interfax.

“Moscou esteve e continua aberta a um diálogo igualitário com qualquer pessoa que queira dar uma contribuição construtiva para alcançar uma solução diplomática”, argumentou a porta-voz da diplomacia russa, que também sustentou que a UE “está impedindo o regime de Kiev de aceitar compromissos em troca da promessa de lhe dar tudo o que é necessário para suas ações militares”.

Zajarova salientou que “até que a UE compreenda que abordar as causas subjacentes do conflito não é uma concessão à Rússia, mas uma contribuição para a estabilidade e a segurança a longo prazo do continente europeu, não faz sentido falar sobre o seu papel numa resolução pacífica, em qualquer tipo de capacidade”. Além disso, ela enfatizou que a retórica e a posição da UE “não permitem” que Moscou considere o bloco como “negociador ou mesmo parceiro de mesa (de negociações)”.

As palavras de Zajarova surgiram apenas dois dias depois de o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, ter confirmado o reinício dos contactos “a nível técnico” com a França, os quais, “caso seja necessário”, poderão levar à abertura de um diálogo “ao mais alto nível” entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Macron.

O presidente francês, que enviou um assessor a Moscou na semana passada para o primeiro encontro desse tipo desde o início da guerra, afirmou na terça-feira, em entrevista ao jornal alemão Suddeutsche Zeitung, que “os canais de discussão entre as partes foram retomados em nível técnico”. “Meu desejo é compartilhar isso com meus parceiros europeus e poder abordar as questões a partir de uma perspectiva europeia bem organizada”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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