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MADRID 24 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira que o país está aberto a ouvir novas propostas para a resolução do conflito na Ucrânia que possam ser apresentadas pelos enviados especiais dos Estados Unidos, cuja visita continua prevista para este mês de junho.
Lavrov confirmou que a Rússia aguarda uma próxima visita “a pedido” da dupla formada pelo enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e pelo genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, que servirá para apresentar as conclusões tiradas da última cúpula do G7 em Évian.
“Queremos entender o que aconteceu lá em Évian (...) Os americanos ainda não nos disseram quais conclusões tiraram da cúpula do G7, como avaliam os resultados dessa cúpula nem qual será seu plano de ação futuro”, indicou o chefe da diplomacia russa durante um fórum realizado nesta quarta-feira em Moscou.
Segundo Lavrov, os Estados Unidos proporiam à Rússia novas “concessões” para poder avançar nas negociações; por isso, ele criticou a tentativa de passar a imagem de que cabe à Rússia dar o próximo passo. “A bola não está do nosso lado do campo, embora tentem cada vez mais jogá-la para nós”, afirmou.
AVANÇAR NA CIMEIRA DO ALASCA
Mais uma vez, o ministro das Relações Exteriores da Rússia relembrou que Moscou continua comprometida com os acordos alcançados na cimeira realizada em agosto do ano passado em Anchorage, no Alasca. Lavrov relatou que “Witkoff apresentou propostas absolutamente concretas” e que o presidente Vladimir Putin “levou em consideração” e aceitou, embora com “algumas nuances”, sem especificar quais.
“Mantemos nosso compromisso com este acordo. Foi, em geral, a parte norte-americana que o redigiu, e o presidente Putin deu seu consentimento às propostas que nos foram apresentadas, após analisá-las cuidadosamente”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, segundo agências de notícias russas.
Mesmo assim, Lavrov confia de que ainda é possível alcançar uma saída diplomática para esta guerra, embora descarte que qualquer resolução passe por “soluções provisórias” e muito menos por um “ultimato imposto por terceiros”
“É importante que certas figuras de países a oeste da Rússia tenham isso em mente, já que estão fornecendo armas ao regime de Kiev”, advertiu Lavrov, que voltou a colocar em dúvida o papel da Europa nas negociações.
“Se a Europa, de repente, propuser algo verdadeiramente construtivo — afinal, em alguns países novas pessoas estão chegando ao poder —, provavelmente estaremos dispostos a ouvir e avaliaremos se é adequado ou não”, observou.
Lavrov confirmou que Moscou recebeu emissários da França, do Reino Unido e do Conselho Europeu para tratar desse assunto e criticou o fato de a UE pretender ter espaço nessa eventual mesa de diálogo, apesar de seu apoio declarado à Ucrânia.
“O que pretendem negociar com essa posição? Querem que a Rússia lhes entregue o ato de capitulação? Não faz o menor sentido, é totalmente inadequado ao papel real da Europa nos assuntos mundiais (...) a mentalidade neocolonial e as ambições europeias continuam vivas”, criticou.
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