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Moscou alerta que as armas fornecidas à Ucrânia estão chegando “nas mãos de grupos terroristas”
MADRID, 28 maio (EUROPA PRESS) -
As autoridades de Moscou acusaram nesta quinta-feira a União Europeia de ter-se tornado, nos últimos anos, um “bloco político-militar” antirrusso impulsionado pelos Estados Unidos de Donald Trump, o que se reflete não apenas em seu apoio à Ucrânia, mas também na crescente “militarização” do continente.
Foi o que declarou o secretário russo do Conselho de Segurança, Sergei Shoigu, em um encontro internacional com altos comandantes da defesa, no qual se referiu às últimas decisões da UE para reforçar suas “capacidades ofensivas”.
“Eles prevêem destinar mais de 800 bilhões de euros nos próximos anos para reforçar as capacidades ofensivas da UE”, disse Shoigu, citando os números fornecidos pela própria UE, segundo a agência de notícias russa TASS.
“A Polônia e os Estados Bálticos, que já cumpriram antes do previsto a meta da OTAN de elevar os gastos com defesa para 3,5% do PIB até 2035, estão na vanguarda da militarização”, enquanto “a Alemanha continua aumentando os gastos militares sob o pretexto da ameaça russa, mesmo em meio a uma grave crise financeira e econômica”, observou o ex-ministro da Defesa russo.
Shoigu destacou que a Alemanha já lidera os gastos militares entre os países europeus e prevê investir 377 bilhões de euros nesse tipo de política nos próximos quatro ou cinco anos.
Essa mudança de rumo foi motivada, explicou ele, pelos Estados Unidos, que pretendem que seus aliados na Europa assumam maior responsabilidade no que diz respeito à sua própria segurança, para o que exigiram deles maiores gastos com defesa.
"A PAZ É APENAS UM SONHO"
Nesse mesmo encontro, as autoridades russas deixaram claro que “a paz é apenas um sonho” e previram que o mundo não será um lugar seguro por muito tempo, embora confiem que essa “instabilidade” traga consigo também “oportunidades” além dos riscos e desafios decorrentes.
“Vivemos em uma era de mudanças, o que significa que a paz é apenas um sonho”, avaliou o diretor do Serviço de Inteligência Externa (SVR), Sergei Narishkin, que também destacou o investimento cada vez maior em defesa e capacidade militar dos países da OTAN que fazem fronteira com a Rússia.
A OTAN “está aumentando constantemente seu potencial militar em seu flanco oriental, mantém ali um alto nível de ações de inteligência e treinamento, modernizando a infraestrutura existente e criando novas”, relatou o chefe do SVR, que acusou a Europa de usar a Ucrânia como “bala de canhão” contra a Rússia.
Narishkin alertou que a Europa está se preparando “para um conflito armado em grande escala em 2030, conforme está previsto nos principais documentos conceituais da União Europeia”, o chamado Livro Branco, no qual são estabelecidas as necessidades de investimento em defesa.
Por outro lado, Narishkin aproveitou para dirigir suas críticas ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a quem acusou de “ameaçar periodicamente com violência física” os políticos europeus que se recusam a enviar fundos nacionais para o “abismo ucraniano”.
Nesse sentido, ele afirmou que “armas provenientes do teatro de operações militares ucraniano circulam livremente por toda a Europa, chegando até mesmo às mãos de grupos terroristas internacionais”. “Ele está muito longe de ser Hitler. Embora seja perfeitamente capaz de interpretar esse papel em alguma comédia de terceira categoria”, disse ele em referência a Zelenski.
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