Europa Press/Contacto/Yuri Smityuk
MADRID 13 set. (EUROPA PRESS) -
O embaixador da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia, denunciou nesta sexta-feira que a Ucrânia está tentando estender o conflito russo-ucraniano "a todo custo", arrastando outros países para a guerra, durante sua intervenção em uma sessão do Conselho de Segurança da organização sobre o recente ataque de drones no espaço aéreo polonês.
"Kiev está tentando, por todos os meios, ampliar o envolvimento de outros países em seu confronto com Moscou. Não é segredo que vem tentando há algum tempo estender o conflito a novas áreas, sem considerar os riscos de escalada", alertou o diplomata, como registrou a delegação russa na ONU na transcrição de sua participação, publicada em seu site oficial.
Nebenzia também enfatizou que esse tipo de ação responde a interesses políticos, em particular os do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, cujo mandato ele descreveu como "ilegítimo" após sua expiração em maio de 2024.
"Inflar artificialmente o alarme só faz o jogo de Zelensky e daqueles na Europa que querem evitar a todo custo um acordo negociado entre a Rússia e os Estados Unidos (...). Está claro que Zelensky é agora o principal oponente de uma solução política para a crise ucraniana, o que exporia sua ilegitimidade", disse ele, aludindo ao "vácuo legal" que permite que o líder ucraniano "se agarre ao poder" sem levar em conta os procedimentos constitucionais.
De acordo com o embaixador, Zelenski estaria disposto a manter o conflito vivo usando qualquer meio, "incluindo ameaças exageradas, exagerando os efeitos de certos eventos ou, como no caso de Pszewodow, usando qualquer incidente como pretexto para envolver os países da OTAN em uma guerra".
O incidente ocorreu em 15 de novembro de 2022, quando um míssil foi lançado perto de Pszewodow, matando dois agricultores. As autoridades polonesas inicialmente culparam a Rússia, mas depois admitiram que o míssil pode ter sido lançado pela Ucrânia. Essa conclusão também foi apoiada por uma investigação oficial das autoridades polonesas, que confirmou que a arma era de origem ucraniana.
Nebenzia também pediu ao Conselho que analisasse a escala do "incidente" em território polonês na quarta-feira, independentemente da "propaganda gerada por políticos na Polônia e em outros países europeus", incluindo a Ucrânia, insistindo que "poderia ser devido a uma falha técnica ou ao impacto de um ataque eletrônico".
A esse respeito, o representante russo compartilhou a disposição de seu governo de manter "um diálogo profissional" com o governo polonês, "apesar das acusações óbvias e infundadas" feitas contra o Kremlin, tudo "em prol de um esclarecimento completo e objetivo de todas as circunstâncias do incidente".
"Pedimos aos nossos colegas poloneses que aproveitem essa oferta e não se envolvam em diplomacia de megafone em plataformas multilaterais. Temos afirmado repetidamente que não estamos interessados em agravar as tensões com Varsóvia. Reiteramos isso agora", acrescentou o embaixador russo na ONU.
Essas declarações vêm depois que o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, relatou a interceptação de vários drones em território polonês na quarta-feira, alegando que eram drones russos, embora ele não tenha fornecido nenhuma prova.
Desde então, Tusk tem insistido que a incursão foi intencional, longe de ser "um erro", como afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump.
A Polônia abateu na quarta-feira vários drones russos em seu espaço aéreo com o apoio de aeronaves de outros aliados da OTAN, no primeiro incidente desse tipo desde o início da invasão russa na Ucrânia, desencadeada em fevereiro de 2022 por ordem do presidente russo Vladimir Putin.
Tanto Varsóvia quanto seus principais aliados deram como certo que Moscou agiu intencionalmente, mas Trump se desassociou na quinta-feira em declarações à mídia. "De qualquer forma, não estou feliz com nada que tenha a ver com toda essa situação. Esperemos que tenha acabado", disse o ocupante da Casa Branca.
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