Eduardo Parra - Europa Press
MADRID 11 fev. (EUROPA PRESS) - O porta-voz do ERC no Congresso, Gabriel Rufián, aproveitou sua intervenção na sessão plenária desta quarta-feira para insistir na necessidade de explorar alianças entre as formações que se situam à esquerda do PSOE, reiterando a advertência que vem lançando há meses: “Ou conversamos entre nós ou vamos para o inferno”.
Um dia depois de admitir que tem apoio popular, mas não político, para a candidatura plurinacional de esquerda que defende, Rufián disse que compreende bem as “dinâmicas” dos partidos, mas repetiu que “se engana” quem “acredita que o que vem é o de sempre” ou que coisas como as que estão acontecendo, por exemplo, nos Estados Unidos, não vão acontecer aqui.
Segundo sua previsão, virão ilegalizações de partidos, prisões, fechamento de meios de comunicação e “acusações por aparência” que farão “maus imitadores de (Donald) Trump”. “Quem acredita que o fascismo vai parar na sua fronteira está muito enganado”, insistiu, antes de salientar que a Catalunha “vota diferente” do resto da Espanha, embora também haja “bastante fascismo”.
Nesse contexto, ele se gabou de que a “única boa notícia” nos últimos dias é que se está falando sobre “o que a esquerda vai fazer”, pois, além de seu projeto, Sumar está se preparando para uma reedição da coalizão.
FEIJÓO CRITICA TODOS, MENOS O VOX Rufián terminou com esta reflexão um discurso no qual também se dirigiu ao líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, para criticá-lo por dedicar uma “série de reprovações e julgamentos de valor” a todos os grupos parlamentares, exceto ao de Santiago Abascal.
“Pegamos menos Vox, com o que já sabemos com quem você quer governar, só com Vox”, disse ele, antes de alertá-lo para ter “cuidado”. “Talvez você não só não acabe governando com Vox, mas também não acabe governando com ninguém, porque pode ser o primeiro presidente do PP que não consegue fazer acordos com ninguém além da outra direita”.
O porta-voz do ERC também se referiu ao acordo para a regularização de imigrantes aprovado pelo governo e o fez para refutar a teoria da “grande substituição” do Vox e recriminar Abascal por não ter reclamado quando ainda estava no PP e era esse partido que aprovava regularizações ou medidas como o “golden visa”. ANA FRANK AGORA NOS EUA
“Quantas mulheres africanas pagam todos os anos às máfias para percorrer 5.000 quilômetros e acabar sendo apalpadas e violadas aqui por patriotas que, na mesma noite, acabam escrevendo no Twitter ‘Viva a Espanha’ e ‘Espanha para os espanhóis’?”, questionou.
Além disso, denunciou a atuação das patrulhas anti-imigração americanas e o fez lendo um parágrafo do “Diário de Ana Frank”, que lhe serviu para estabelecer um paralelo entre o nazismo e a situação dos Estados Unidos. “Pessoas indefesas são arrastadas para fora de suas casas, famílias são separadas e crianças chegam em casa e seus pais já não estão mais lá. Isso está acontecendo porque hoje há um presidente que também fala de espaço vital”. A LISTA DE EPSTEIN
Rufián também atacou os “vendepatrias” que apoiam os “oligarcas multimilionários que enriquecem destruindo a saúde mental” dos menores, em vez do “presidente do seu país”, que propõe proibir o acesso à internet para menores de 16 anos. “Gritam que não se deve tocar nas crianças, mas da lista de (Jeffrey) Epstein”, acrescentou Rufián, que também chamou a atenção para o fato de que nessa lista de pessoas que tiveram relação com o pedófilo norte-americano figura o nome de um “ex-presidente que não é (José Luis Rodríguez) Zapatero”, em referência ao “popular” José María Aznar, que figura em uma lista de destinatários de remessas.
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