MADRID 11 set. (EUROPA PRESS) -
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira que o Peru e os Estados Unidos “estão entrando” em uma “era de ouro” nas relações entre os dois países, após a confirmação de que Lima passará a integrar a chamada coalizão do Escudo das Américas, uma aliança de governos conservadores de países do continente cujo objetivo é combater os cartéis de drogas.
“Estamos entrando em uma nova era nas relações entre os Estados Unidos e o Peru, uma era de ouro em muitos sentidos, porque seu governo — em alusão à presidente peruana, Keiko Fujimori — conta com as ideias certas”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana em uma coletiva de imprensa ao lado da líder andina, por ocasião de sua visita ao país latino-americano.
Nessa ocasião, sendo esta a última parada de uma viagem na qual ele fez escala na Colômbia e no Equador para se reunir com os chefes de governo desses países, Abelardo de la Espriella e Daniel Noboa, respectivamente, o chefe da diplomacia norte-americana destacou que, nos “primeiros 40 dias” de Fujimori à frente do país, Washington e Lima conseguiram “muitas coisas juntos”, embora “ainda” reste, precisou ele, “muito mais a ser feito”.
O ponto central da coletiva de imprensa foi a confirmação, por parte de Fujimori, da adesão de seu país ao Escudo das Américas, embora essa questão já tivesse sido confirmada dias antes pelo próprio Rubio em um artigo de opinião publicado pelo jornal “El Comercio”.
“Fico extremamente satisfeito ao ouvir o anúncio de que o Peru se unirá ao Escudo das Américas”, destacou o alto funcionário, explicando que a iniciativa se volta contra “grupos criminosos transnacionais que, em muitos casos, dispõem de mais dinheiro e melhor equipamento militar do que o próprio Estado”, algo “inaceitável” que, segundo ele, só pode ser “derrotado” se for enfrentado “com firmeza”.
Isso, acrescentou o secretário norte-americano, foi o motivo pelo qual Fujimori foi eleita nas últimas eleições presidenciais peruanas: “porque ela disse ao povo do Peru que enfrentaria essa ameaça e que a derrotaria”. Para esse fim, afirmou Rubio, os Estados Unidos ajudarão “em tudo o que puderem”, pois isso “também redunda” no “interesse nacional” americano, na medida em que “ter gangues criminosas operando no hemisfério é uma ameaça direta aos Estados Unidos”.
“Temos aqui uma presidente que disse muito claramente, não a nós, mas ao povo de seu país; foi por isso que a elegeram: vou derrotar esses grupos que os extorquem, vou derrotar esses grupos que os matam, vou derrotar esses grupos que aterrorizam seus filhos em nossas comunidades. E os Estados Unidos disseram: ‘Estamos muito felizes que ela faça isso; é importante também para nós, e vamos colaborar com você’”, destacou, ressaltando que esse é o objetivo do Escudo: “proteger a região contra essa ameaça à soberania de cada uma de suas nações”.
Em última análise, garantindo que, para o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Hemisfério Ocidental é “uma prioridade real” porque afeta os Estados Unidos “diretamente”, o alto funcionário previu que haverá “mais iniciativas” como o Escudo das Américas, com as quais os Estados poderão continuar colaborando.
Em relação a uma possível entrada de tropas americanas no país, a própria Fujimori se pronunciou, lembrando que, para que isso ocorra, é necessário solicitar “uma autorização especial ao Congresso da República”.
“A soberania do Peru está intacta. O que vamos recuperar aqui é a ordem, a tranquilidade e a paz para todos os peruanos”, concluiu.
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