Publicado 28/03/2025 00:34

Rubio diz que a Venezuela comete "um grande erro" se atacar a Guiana ou a empresa petrolífera ExxonMobil

Caracas os acusa de "ameaçar a paz regional" e denuncia as "ações bélicas" do líder guianense.

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com o presidente da Guiana, Irfaan Ali
PRESIDENTE DE GUYANA, IRFAAN ALI, EN X

MADRID, 28 mar. (EUROPA PRESS) -

O secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse nesta quinta-feira, de Georgetown, capital da Guiana, que "seria um dia muito ruim para o regime venezuelano se atacasse" esse país ou a petroleira norte-americana ExxonMobil, que opera em Essequibo, uma região guianense rica em petróleo, minerais e biodiversidade reivindicada pelo governo de Nicolás Maduro. "Isso não terminaria bem", acrescentou o chefe da diplomacia dos EUA.

"Deixaremos isso para o momento apropriado, mas basta dizer que se esse regime fizesse algo assim, seria uma decisão muito ruim. Seria um grande erro para eles", disse ele sob aplausos, embora tenha se recusado a "entrar em detalhes".

Rubio fez essa declaração quando perguntado diretamente sobre um possível apoio militar à Guiana no caso de um ataque da Venezuela, mas lembrou que "temos uma grande marinha (...) e compromissos existentes com a Guiana".

O chefe da pasta diplomática continuou a se referir a Caracas para responder às questões de migração abordadas durante sua reunião na quinta-feira com o presidente guianense Irfaan Ali, embora tenha evitado confirmar se a deportação para terceiros países a partir da Guiana estava entre os tópicos discutidos.

"Se tivermos informações sobre um membro da gangue Tren de Aragua vindo da Venezuela, queremos ter certeza de que cooperamos e compartilhamos essas informações. Se tivermos informações de que algum traficante de drogas está se instalando aqui e decidiu tentar fazer daqui uma base de operações, o que poderia (...) levar à violência e à guerra de gangues, queremos poder compartilhar isso com vocês. Queremos evitar que esses problemas aconteçam", explicou.

Nesse sentido, Rubio acusou novamente a Venezuela de enviar "muitos membros de gangues" para o território dos EUA e defendeu as ações das autoridades norte-americanas na deportação, semanas atrás, de cerca de 200 pessoas dessa nacionalidade para El Salvador, após reclamações sobre a falta de garantias legais para os detidos.

"Essa lista foi cuidadosamente revisada, fornecida a nós pelo Departamento de Segurança Interna. Temos confiança nela. O que negociamos é que, em El Salvador, eles atendem a todos os requisitos internacionais para o encarceramento. Era uma combinação de pessoas: membros de gangues, pessoas que sabíamos estarem envolvidas em atividades prejudiciais aos Estados Unidos, todas elas deportáveis de acordo com nossas leis, independentemente de sua origem", disse ele.

Por sua vez, o presidente guianense confirmou que, durante a reunião, "as ameaças" da Venezuela "foram especificamente abordadas". Foi observada sua flagrante violação da ordem da Corte Internacional de Justiça (CIJ) e da Declaração de Argyle", que estabelece o compromisso de não usar a força ou a ameaça de força, de respeitar o direito internacional e de se comprometer com a integração e a unidade regional.

Além disso, ele anunciou a assinatura de um "Memorando de Entendimento aprimorado" que reflete o compromisso dos dois países de aumentar sua "colaboração na luta contra o crime transnacional".

"Eu saúdo muito a confiança dos Estados Unidos em salvaguardar nossa integridade territorial e soberania. Nossa parceria e nosso compromisso conjunto de proteger esta região de quaisquer forças perturbadoras são fundamentais para a manutenção da democracia e do respeito ao estado de direito", disse Ali, antes de indicar que ambas as administrações trabalharão para "implantar (seu) potencial energético, garantindo (...) a segurança energética regional, a segurança alimentar e o fortalecimento do comércio".

CARACAS GARANTE QUE NÃO SE DEIXARÁ "INTIMIDAR".

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, garantiu que seu país "nunca cederá seus direitos sobre a Guiana Esequiba nem se deixará intimidar pelo desprezível direito internacional", depois de apontar Rubio e Ali porque "eles ameaçam a paz e a estabilidade de nossa região".

Em uma breve nota publicada em sua conta no Telegram, ele acusou seu colega norte-americano e o presidente guianense - a quem chamou mais uma vez de "Zelenski do Caribe", em referência ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski - de "tentar ameaçar a Venezuela".

"A Guiana deve interromper imediatamente a disposição ilegal e abusiva de um mar pendente de delimitação e sentar-se imediatamente à mesa de negociações. Chega de ameaças", declarou, enquanto atacava o presidente do país vizinho porque ele "despreza o diálogo devido (...) refugiando-se em ações de natureza bélica".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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