Publicado 23/07/2026 12:28

Rubio acredita que Machado pode desempenhar um papel na reconciliação, mas ressalta que os EUA apenas facilitam o processo

Archivo - Arquivo - 20 de abril de 2026, Madri, Madri, ESPANHA: A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, MARIA CORINA MACHADO, participa do renomado fórum de debates Forum Europa, em Madri, em um de seus últimos eventos durante
Europa Press/Contacto/David Cruz Sanz - Arquivo

MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira que a líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, pode desempenhar um papel no processo de reconciliação interna na Venezuela, embora tenha deixado a cargo dos atores venezuelanos a definição dos próximos passos, alegando que Washington “facilita, mas não dita” o processo.

“Isso deve ser decidido pelos venezuelanos. Tenho certeza de que ela pode desempenhar um papel, se assim desejarem”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana sobre Machado em declarações feitas nas Filipinas, à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Rubio enfatizou que a sociedade venezuelana deve estar representada e que Machado “conta com seguidores e pessoas que a apoiam” dentro do país. “Também há outros”, indicou ele, para ressaltar que, de qualquer forma, os Estados Unidos estão “para facilitar, não para ditar”.

Segundo ele, é um “avanço realmente positivo” o fato de a Assembleia Nacional de 2015 — governo reconhecido por Washington até a saída de Nicolás Maduro em uma operação militar de seu Exército em janeiro deste ano — manter reuniões com setores do governo para um processo de “reconciliação”.

Em sua opinião, o processo que se inicia em agosto entre a oposição e o Executivo interino na Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, precisa dar passos adiante na reforma institucional do país. “Os partidos políticos precisam deixar de ser movimentos de protesto de rua para se tornarem forças eleitorais. É necessário contar com uma imprensa livre e aberta para poder comunicar isso. É preciso contar com um conselho eleitoral que conte os votos com precisão”, explicou Rubio.

Dessa forma, ele enquadrou esse processo nas reformas necessárias para se ter uma infraestrutura democrática em funcionamento, a fim de “garantir que as urnas estejam protegidas e que as pessoas não sofram intimidações”.

“Há muitos aspectos que influenciam uma eleição. Além disso, é preciso criar a infraestrutura necessária para realizar eleições, algo em que realmente não se investiu há muito tempo”, destacou, ressaltando que a transição leva tempo e não é questão de semanas.

“Isso leva mais do que algumas semanas, sobretudo quando se trata de algo que está em vigor há 25 anos, infelizmente para o povo da Venezuela”, argumentou.

PROCESSO DE RECONCILIAÇÃO NA VENEZUELA

Fazendo eco dessas declarações, a presidente da Assembleia Nacional de 2015, Dinorah Figuera, enfatizou que, a partir de 1º de agosto, convocará “todos os setores democráticos a participar e apresentar propostas para enriquecer o roteiro”, ressaltando que Machado “é muito importante nesse processo”.

Figuera afirmou estar de acordo com Rubio. “A reconciliação nacional exige amplitude, representatividade e participação para avançarmos rumo a uma transição eleitoral pacífica e democrática”, acrescentou ela em uma mensagem nas redes sociais.

A Assembleia Nacional venezuelana anunciou há algumas semanas um “roteiro” conjunto com a oposição com vistas à reconstrução do país latino-americano após o duplo terremoto ocorrido em 24 de junho passado.

O Parlamento da oposição, que atuou durante anos como autoridade paralela, enquadrou a agenda de trabalho conjunta como uma tentativa de “promover a estabilidade, a democracia e a recuperação nacional, constituindo-se como o início da construção de uma nova etapa que dará lugar a uma Venezuela de progresso e liberdades”.

Em um momento em que as partes definem quem participará desse processo, figuras da oposição venezuelana, como o ex-candidato à presidência Henrique Capriles, pediram que a negociação inclua a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e se concentre na “reconstrução institucional” do país, após ressaltar que as autoridades de Caracas vêm há anos “de costas para os venezuelanos”.

“Qualquer processo de negociação não pode ser um cálculo de alguém, ou contra alguém, ou para excluir alguém. Nesse sentido, uma negociação que exclua María Corina Machado e o que ela representa estará condenada ao fracasso”, enfatizou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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