Europa Press/Contacto/Carlos A. Moreno - Arquivo
MADRID 4 jul. (EUROPA PRESS) -
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenou nesta sexta-feira o assassinato da jornalista mexicana Roxana Berenice Guzmán Ramírez, natural do estado de Veracruz, e destacou que o caso reflete as falhas do Estado na proteção dos profissionais do jornalismo.
A diretora do portal de notícias Pulso Informativo del Sureste foi sequestrada no dia 2 de junho em Nanchital, e seus restos mortais foram finalmente identificados um mês depois. Para a RSF, esse homicídio agrava ainda mais a deterioração das condições de segurança para a imprensa em Veracruz, estado onde três jornalistas foram assassinados durante o primeiro semestre de 2026.
Nesse contexto, a organização solicitou à Procuradoria-Geral da República (FGR) a realização de uma investigação “imediata, exaustiva, transparente e imparcial” que permita esclarecer o motivo do crime e levar à justiça tanto os autores materiais quanto os intelectuais.
De acordo com as informações divulgadas pela própria organização, o sequestro ocorreu na manhã de 2 de junho, quando um grupo de homens armados e com o rosto coberto invadiu a residência da jornalista em Nanchital e a levou à força após ameaçá-la.
As investigações em andamento resultaram na prisão de oito pessoas, entre elas quatro policiais municipais de Ixhuatlán del Sureste. Também foi capturado José del Carmen Cadena Escayola, apontado como suposto participante do sequestro, que teria fornecido informações sobre o local onde, posteriormente, foram localizados os restos mortais da jornalista.
Assim, nesta sexta-feira, 3 de julho, a Procuradoria Geral do Estado de Veracruz confirmou que os restos mortais encontrados em uma fazenda localizada entre os municípios de Ixhuatlán del Sureste e Moloacán pertenciam a Roxana Guzmán.
A jornalista liderava o “Pulso Informativo del Sureste”, uma plataforma de notícias divulgada pelo Facebook para cobrir temas comunitários, de segurança pública, política municipal, serviços e questões sociais na região sul de Veracruz.
DETERIORAMENTO DAS GARANTIAS AO EXERCÍCIO DO JORNALISMO
O diretor da RSF para a América Latina, Artur Romeu, denunciou que o assassinato representa um sinal do deterioramento das garantias ao exercício do jornalismo no estado. Além disso, ele destacou que as autoridades devem explicar quais medidas foram tomadas durante as buscas pela jornalista, por que ela não foi encontrada com vida e se o crime tem relação com seu trabalho jornalístico.
Dessa forma, ele alertou que a falta de punições nesse tipo de caso favorece a repetição de ataques contra jornalistas, por isso insistiu na necessidade de romper o ciclo de impunidade que, segundo ele, afeta tanto Veracruz quanto o resto do país.
A RSF lembrou ainda que Roxana Guzmán é a terceira jornalista assassinada em Veracruz neste início de 2026 e a quarta vítima de homicídio entre membros da imprensa no México durante o mesmo período. Entre os casos registrados anteriormente estão os de Carlos Leonardo Ramírez Castro e Luis Ángel López Valdez, ambos assassinados em Poza Rica.
Por fim, a organização expressou suas condolências à família da jornalista e solicitou que as autoridades concedam medidas de proteção aos seus familiares enquanto as investigações continuam.
A CIDH CONDENAM O CRIME E ALERTA PARA SEU IMPACTO NA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Na mesma linha, a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também condenou o assassinato de Roxana Guzmán, reiterando que esse tipo de agressão constitui um ataque à liberdade de expressão.
Por meio de um comunicado divulgado nas redes sociais, a Relatoria exortou as autoridades mexicanas a darem continuidade às investigações até que o caso seja totalmente esclarecido. Além disso, manifestou sua solidariedade à família, aos amigos e aos colegas da jornalista e tomou nota da prisão de oito pessoas supostamente ligadas aos fatos, entre elas quatro policiais municipais, segundo uma notícia divulgada pelo jornal mexicano “La Jornada”.
O escritório especializado da CIDH lembrou que os ataques contra jornalistas não apenas violam o direito à vida das vítimas, mas também visam inibir o exercício da liberdade de expressão e geram um efeito de autocensura entre aqueles que trabalham na mídia.
Por sua vez, a Procuradoria-Geral do Estado de Veracruz confirmou o assassinato de Roxana Guzmán e informou que, atualmente, oito pessoas permanecem detidas por sua suposta participação no caso, enquanto as investigações continuam para determinar as responsabilidades correspondentes.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático