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A presidente interina da Venezuela convoca pela primeira vez a oposição para conversar a fim de “iniciar um verdadeiro diálogo político” MADRID 24 jan. (EUROPA PRESS) -
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, elevou nesta sexta-feira para 626 o número de presos políticos libertados e anunciou que na próxima segunda-feira conversará com o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, para pedir que ele verifique a lista de pessoas libertadas na Venezuela, ao mesmo tempo em que convidou a oposição a dialogar “pelo bem comum do país”.
“Até hoje, 626 pessoas privadas de liberdade já foram libertadas”, informou a mandatária em exercício durante encontro com todos os setores políticos do país, lamentando que “há setores antipolíticos que não entenderam o momento” e que “persistem em manipular e manobrar com números por meio de mentiras”.
Assim sendo, Rodríguez apelou a “todos os setores, acadêmicos e não acadêmicos”, para que reflitam sobre o sistema judicial venezuelano a fim de pensar em “um modelo alternativo de justiça penal”, ao mesmo tempo em que avançou sua intenção de solicitar às Nações Unidas que compare — por meio do escritório liderado por Türk — os números fornecidos pelo governo de Caracas.
“Chega de mentiras, chega de mentir para o povo venezuelano! Deve haver responsabilidade no exercício da política”, afirmou antes de incidir sobre a existência de campanhas que “buscam semear mentiras, violência, ódio e morte”, valendo-se, entre outros, de algoritmos e redes sociais. “Estamos fartos destas pessoas extremistas e fascistas que só procuram prejudicar o nosso país”, acrescentou. UM DEBATE “PURAMENTE VENEZUELANO”
Nesse contexto, a presidente interina instou pela primeira vez a oposição a sentar-se à sua mesa para “iniciar um verdadeiro diálogo político”, a fim de manter “um debate puramente venezuelano” em que “a vontade do povo” se sobreponha a qualquer ordem externa. Um diálogo, em definitiva, “pelo bem comum” do país e “com resultados concretos”. Rodríguez confiou essa tarefa ao presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, a quem pediu que “convoque imediatamente uma reunião com todos os setores políticos do país: setores políticos coincidentes, setores políticos divergentes e opositores políticos”.
“Não se imponham mais ordens externas, nem de Washington, nem de Bogotá, nem de Madri. Não, que seja um diálogo político venezuelano, nacionalizado”, sentenciou a mandatária.
Esta aparição ocorre depois de as autoridades venezuelanas terem rejeitado esta mesma sexta-feira as acusações sobre a suposta lentidão no processo de libertação de presos políticos, afirmando que até ao momento tinham sido libertadas “mais de 400” pessoas, embora a organização não governamental Foro Penal dê um número pouco superior a 150 libertados.
Caracas iniciou nas últimas semanas um processo de libertação de presos após o ataque perpetrado em 3 de janeiro pelo Exército dos Estados Unidos, que deixou mais de uma centena de mortos e resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram transferidos para território norte-americano e apresentados a um tribunal sob a acusação de narcoterrorismo.
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