Jesús Hellín - Europa Press
MADRID 18 ago. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Defesa, Margarita Robles, acabou não comparecendo nesta terça-feira à Comissão de Defesa do Senado para prestar informações sobre o papel das Forças Armadas no contexto da crise migratória de Ceuta, depois de ter comunicado, na semana passada, ao presidente da Câmara, Pedro Rollán, que não dispunha de tempo “suficiente” para preparar com “rigor e detalhe” sua participação.
Sua ausência provocou críticas dos únicos grupos que compareceram à reunião — PP, Vox e Junts —, que repreenderam o governo por não atender às convocações extraordinárias da Câmara Alta e questionaram os argumentos utilizados para adiar as explicações sobre a crise. “Compreendemos os motivos, mas nenhum motivo pode impedir que se exerça o controle sobre o Executivo”, afirmou o presidente da comissão.
A ausência da ministra da Defesa soma-se à dos ministros das Relações Exteriores, José Manuel Albares, e do Interior, Fernando Grande Marlaska, depois que o governo defendeu que as explicações de seus ministros sobre a crise na cidade autônoma devem ocorrer no Congresso, onde comparecerão no final de agosto por iniciativa própria.
Especificamente, o Executivo prevê que Robles compareça à Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados no dia 25 de agosto, enquanto na quinta-feira, 27 de agosto, estão marcadas as audiências nos respectivos comitês dos ministros da Presidência e da Justiça, Félix Bolaños, e da Saúde, Mónica García, e, no dia seguinte, sexta-feira, 28, será a vez dos titulares das Pastoras de Relações Exteriores, do Interior e de Inclusão e Migração, Elma Saiz.
A rodada será encerrada com a ministra da Juventude, Sira Rego, a última a solicitar sua comparecimento, cuja audiência está agendada para segunda-feira, 31 de agosto.
PP: “O GOVERNO DESCUMPRIR FLAGRANTEMENTE SUAS OBRIGAÇÕES”
Nesse contexto, o PP lamentou “muito” a ausência de Robles e criticou o fato de a ministra ter inicialmente confirmado por escrito sua presença e, posteriormente, ter aderido à decisão do restante do governo de não comparecer à Câmara Alta.
Em sua opinião, a crise de Ceuta “não admite adiamentos”, pois se trata de uma situação de “extrema urgência”, por isso acusou o Executivo, “sem exceção, desde o presidente até o último ministro”, de descumprir “flagrantemente” suas obrigações de controle parlamentar.
O senador do Partido Popular defendeu que o que ocorreu em Ceuta não constitui um episódio isolado, mas o culminar de uma sucessão de “cedências e concessões” diante das atitudes “hostis” de Marrocos em relação a Ceuta e Melilha.
Além disso, questionou o fato de o governo não ter conseguido prever uma entrada em massa de migrantes e destacou as informações nas mãos dos serviços de inteligência e a coordenação entre os ministérios da Defesa e do Interior, perguntando se o Executivo tinha conhecimento prévio do risco de uma entrada em massa e, nesse caso, por que não agiu.
“Alguém precisa assumir as responsabilidades”, exigiu o PP, que considerou o ocorrido como um dos incidentes “mais graves” para a segurança da Espanha nas últimas décadas e exigiu uma ação “contundente” e coordenada de todos os serviços do Estado.
VOX EXIGE “MILITARIZAR” AS FRONTEIRAS
Por sua vez, o Vox classificou o ocorrido como um “ato de guerra híbrida”, ao considerar que a entrada em massa não foi um aglomerado espontâneo de pessoas, mas uma ação “organizada e deliberada” que teria utilizado a imigração como instrumento de pressão contra a Espanha.
Além disso, o partido de Abascal exigiu a “militarização da fronteira” de Ceuta e Melilla, além de mais recursos humanos, materiais e jurídicos para as Forças Armadas, maior coordenação entre os serviços de inteligência, o Exército, a Polícia Nacional e a Guarda Civil, e o retorno imediato daqueles que entrarem ilegalmente na Espanha.
O Vox também criticou a resposta do governo à crise e questionou a alocação de recursos para atender menores migrantes, enquanto, em sua opinião, mais recursos deveriam ser dedicados a agilizar as expulsões e os procedimentos administrativos.
“Quando existe uma fronteira, a obrigação de um governo é prevenir, não reagir”, defendeu.
JUNTS CRITICA AS “TRÊS AUSÊNCIAS”
Por fim, o Junts juntou-se às críticas dos grupos parlamentares anteriores e classificou como “escândalo de pésima qualidade democrática” a ausência de Robles e dos outros ministros convocados pelo PP no Senado.
Além disso, os independentistas afirmaram que a crise da cidade autônoma “não termina em Ceuta” e sustentaram que o episódio vai além da questão migratória, afetando a soberania, a política externa e a geopolítica.
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