Publicado 10/04/2026 09:28

Robles pede ao PP que respeite os militares e a Guarda Civil: “senti vergonha alheia” ao ouvir Ester Muñoz

Ela alerta que não haverá avanços nas negociações de paz entre os EUA, Israel e o Paquistão se as hostilidades no Líbano não cessarem

A ministra da Defesa, Margarita Robles, durante sua visita ao quartel de Siero (Astúrias).
MINISTERIO DE DEFENSA

MADRID, 10 abr. (EUROPA PRESS) -

A ministra da Defesa, Margarita Robles, pediu ao Partido Popular que respeite os militares espanhóis destacados no Líbano e também a Guarda Civil, após as declarações da porta-voz do Grupo Popular no Congresso, Ester Muñoz, que ontem comparou a detenção de um militar espanhol da FINUL por Israel com a retenção que ela mesma sofreu em algum posto de controle da Guarda Civil. “Senti vergonha alheia”, afirmou a ministra.

Robles fez essas declarações em Siero (Astúrias), durante sua visita ao quartel “Cabo Noval”, sede do 3º Regimento de Infantaria “Príncipe”.

Lá, ela pediu respeito à Guarda Civil, da qual disse que realiza as fiscalizações “em condições”, e também reivindicou esse respeito para os militares que estão realizando tarefas de manutenção da paz no Líbano.

“Isso me magoou profundamente, senti vergonha alheia”, exclamou a ministra da Defesa, que acredita que o PP não está levando em conta o que os militares espanhóis estão fazendo no Líbano “arriscando a vida”. De fato, ela explicou que a detenção do militar espanhol constituiu uma “violação” de todas as normas que regem a atuação das Nações Unidas.

O militar foi “arrancado com violência” da patrulha logística da qual fazia parte, prosseguiu Margarita Robles, foi levado e privado de liberdade.

Após tomar conhecimento do incidente, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, ligou para a encarregada de negócios da embaixada de Israel na Espanha e também foi enviada uma nota de protesto às Nações Unidas, sob cuja proteção se encontra a missão no Líbano. Como consequência disso, acrescentou Robles, o militar espanhol foi libertado.

Trata-se, exclamou ela, de um “ato gravíssimo do ponto de vista das normas das Nações Unidas”. Por isso, considera que o Partido Popular deve agir com “seriedade” e “respeito” para com os militares espanhóis e para com as Nações Unidas, com quem “toda a Espanha” está solidária porque estão realizando tarefas de manutenção da paz, e exige que os “populares” não “banalizem” a situação.

SEM O LÍBANO NÃO HAVERÁ AVANÇOS NAS CONVERSAS DE PAZ

Quanto às negociações de paz que serão realizadas no Paquistão, entre os EUA, Israel e o Irã, a ministra precisou que “não é compreensível que se fale de um cessar-fogo se o Líbano não estiver incluído” e ressalta que este país “tem necessariamente de estar incluído”.

De fato, ela criticou o fato de que, no mesmo dia em que se chegou ao cessar-fogo, 250 civis tenham morrido nos bombardeios nas proximidades de Beirute e perto da zona onde se encontram os 10.000 soldados da força de paz, compostos por militares espanhóis, indonésios e nepaleses.

Para eles, insistiu, está sendo uma “situação difícil”. No entanto, considera que o trabalho das Nações Unidas na região é “essencial” e se mostra “otimista” em relação às negociações no Paquistão para alcançar um acordo de paz, mas adverte que nessas negociações “não haverá avanços se as hostilidades no Líbano não cessarem”.

Quanto à possibilidade de a Espanha considerar a retirada dos militares espanhóis destacados no Líbano, a ministra lembrou que se trata de uma decisão que cabe à ONU tomar e que a Espanha está presente no país desde 2006, onde também faleceram sete militares espanhóis.

“O Líbano merece a paz. Temos um compromisso com o Líbano, faremos todo o possível para que o Líbano encontre a paz, e pedimos a Israel que respeite a missão”, exclamou.

“NÃO É A NOSSA GUERRA”

A ministra da Defesa ressaltou, diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos à Espanha, que o Executivo espanhol tomou uma decisão com base na ética e na responsabilidade diante de uma “guerra ilegítima, que não conta com o respaldo do ordenamento jurídico internacional”. “Esta não é a nossa guerra”, exclamou.

“O senhor Trump saberá das decisões que toma, mas nós estamos orgulhosos da decisão que tomamos”, insistiu Margarita Robles, que afirma que a Espanha pode fazer essa afirmação com base no compromisso que tem com a OTAN, sob cuja proteção está “em todas as missões como o aliado mais comprometido”.

De fato, ela lembrou que o 3º Regimento Príncipe, que está visitando hoje, esteve na Eslováquia “levando muito alto a bandeira espanhola, a bandeira asturiana obviamente também, e o compromisso da Espanha com a Aliança Atlântica”.

E a posição da Espanha em relação às bases americanas em nosso território também não vai mudar, embora Donald Trump tenha afirmado que a presença militar nelas pode ser repensada.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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