RICARDO RUBIO - EUROPA PRESS
MADRID 11 mar. (EUROPA PRESS) - A ministra da Defesa, Margarita Robles, voltou a descartar a possibilidade de a Espanha participar numa eventual missão para proteger a navegação no estreito de Ormuz proposta pela França, rejeitando igualmente a possibilidade de enviar para a zona os caça-minas espanhóis, que já se encontram em missões da OTAN.
“A Espanha nunca participará em nenhuma missão que não tenha apoio ou cobertura internacional”, seja das Nações Unidas, da Aliança Atlântica ou da União Europeia, salientou Robles em declarações à imprensa durante a sua visita ao MOPS na base de Retamares, em Pozuelo (Madrid).
A ministra insistiu que a Espanha concordou que a fragata Cristóbal Colón seja transferida para Chipre junto com o grupo naval liderado pelo porta-aviões francês Charles de Gaulle para participar de uma missão de “proteção e segurança” no Mediterrâneo e não tem intenção de ir além disso.
“Não sabemos qual será a missão que a França pretende realizar”, acrescentou a ministra, em referência à proposta apresentada na segunda-feira passada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, de enviar uma missão defensiva ao estreito de Ormuz para garantir a navegação.
“Essa é uma missão que, se for proposta pela França, é um assunto da França, mas neste momento, a nível internacional, não foi proposta nem pela OTAN nem pela União Europeia e, portanto, a Espanha não tem nada a dizer”, insistiu Robles, que deixou claro que o governo é sempre “respeitoso” com as novas missões que possam ser propostas por países aliados.
OS CAÇAMINAS JÁ ESTÃO EM OUTRAS MISSÕES Da mesma forma, questionada sobre a possibilidade de a Espanha poder enviar seus caçaminas para essa zona, ela afirmou categoricamente que isso não está previsto, uma vez que essas embarcações já estão em missões da OTAN.
“Vamos continuar com as missões em que estamos e, evidentemente, isso não está previsto neste momento”, afirmou, ressaltando a importância de não esquecer a Ucrânia, cujo presidente, Volodimir Zelenski, anunciou que viajará em breve para a Espanha.
A ministra da Defesa reconheceu que “há uma situação grave” no Oriente Médio como resultado da operação militar dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e da posterior resposta iraniana atacando os países da região, mas a Espanha “é um aliado respeitável e comprometido com a OTAN” que já tem missões destacadas no Flanco Leste.
MILITARES ESPANHÓIS NO ORIENTE MÉDIO
Quanto à situação dos militares espanhóis destacados em diferentes missões na região, Robles admitiu que “a situação é muito difícil” no Líbano, mas também é complicada no Iraque e na Turquia. “Estamos permanentemente em contato com eles” e “todas as medidas de proteção e segurança estão sendo tomadas”, garantiu.
Por outro lado, quanto às declarações do senador norte-americano Lindsey Graham, que propôs a retirada das tropas dos Estados Unidos das bases de Rota e Morón após a recusa do governo em autorizar seu uso para a operação no Irã, ele argumentou que “há muitos congressistas democratas nos Estados Unidos que pensam de outra forma”.
Em sua opinião, “a declaração de um senhor que pode representar muito nos Estados Unidos” e não é “também a opinião da maioria dos cidadãos norte-americanos”, embora tenha acrescentado que não quer se meter em “assuntos internos” de outro país. Por último, Robles reconheceu que não gostou das declarações da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen. “Acho que ela está completamente errada se pensa que podemos aceitar uma nova ordem internacional sem respeito pelas normas do direito internacional e apenas pela lei do mais forte”, afirmou. “Tenho certeza de que a Espanha e a Europa estarão sempre com a ordem internacional, com os valores de segurança, paz e democracia que definem a Europa”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático