Ricardo Rubio - Europa Press
MADRID 18 jun. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Defesa, Margarita Robles, enfatizou nesta quarta-feira a intenção do governo de substituir a tecnologia israelense pela espanhola nos programas militares em andamento, mas não pôde especificar uma data específica.
Durante sua presença no Congresso para prestar contas sobre o comércio de armas com o Estado hebreu, os membros do Sumar, ERC, Bildu e Podemos estavam interessados nos contratos ainda em vigor com a indústria israelense e se as licenças serão revogadas para programas como o lançador de foguetes SILAM, fabricado pela Elbit Systems, entre outros, em retaliação à ofensiva na Faixa de Gaza.
Robles lembrou que o Ministério da Defesa já havia reconhecido a "dependência tecnológica" dos produtos israelenses, mas ressaltou que o "plano de desconexão" lançado pelo departamento visa substituir esses produtos por tecnologias desenvolvidas na Espanha. O Ministério da Defesa já descartou que a "desconexão" comprometerá os programas industriais e de armamentos.
A ministra destacou que esses produtos israelenses estavam sendo usados antes de 7 de outubro de 2023, mas que o compromisso do governo de usar a tecnologia espanhola é "claro e inequívoco", embora ela não tenha podido especificar quando. "Provavelmente chegaremos um pouco mais tarde ou não, porque a indústria de defesa espanhola é uma indústria muito boa", disse ela.
DESCONEXÃO 20 MESES DEPOIS
Durante o debate, Txema Guijarro, porta-voz de Sumar no Comitê de Defesa do Congresso, aproveitou a oportunidade para deixar claro à ministra que os argumentos apresentados por seu ministério para não cortar as relações comerciais com Israel pela raiz são "inaceitáveis" para o parceiro minoritário no governo, e lamentou que "quase 20 meses depois" estejamos começando a ouvir falar de "desconexão" com o Estado hebreu.
Em nome da ERC, foi o deputado Francesc-Marc Álvaro Vidal que se dirigiu à Ministra da Defesa para exigir que ela esclarecesse quais contratos de munição ainda estão em vigor. Nessa linha, ele censurou o governo por uma certa "dissonância cognitiva" sobre a questão de Israel, pois reconhece o Estado palestino e faz um "jogo de esconde-esconde" para não cortar o comércio de armas com Israel.
O porta-voz adjunto da Bildu, Oskar Matute, também perguntou por que os contratos assinados com empresas ou subsidiárias não foram revogados. Ele acredita que a suspensão de todos os contratos com o Estado hebreu seria "um sinal inequívoco do real desengajamento militar com Israel", como o ministro proclamou "em mais de uma ocasião", de acordo com Matute.
Por sua vez, a secretária geral do Podemos, Ione Belarra, questionou Robles se "ela não tem vergonha" de ser a chefe da Defesa em um governo que negocia com Israel e criticou o fato de o governo falar de "genocídio" e ainda assim "não romper todas as relações comerciais, diplomáticas e militares com os genocidas".
Por fim, o deputado do BNG, Néstor Rego, enfatizou que os argumentos apresentados pelo governo para não romper as relações comerciais com Israel "não se justificam" e defendeu o fato de que esse rompimento é o "requisito ético e humano mínimo" diante da situação vivida pela Palestina.
PASSOS NA DIREÇÃO CERTA
Os parceiros também fizeram alusão aos mísseis israelenses Spike, fabricados pela empresa Rafael, mas o Ministério da Defesa já iniciou os procedimentos para revogar essa licença. De fato, o deputado do PNV Mikel Legarda apreciou os "passos significativos" do governo para acabar com o comércio de armas, destacando o fato de ter suspendido a compra desses mísseis.
No entanto, ele alertou que o que está acontecendo na Palestina não pode ser legitimado pela "recompensa" às empresas de armas israelenses e incentivou o ministro a dar "mais passos" na direção "certa", pois "não fazê-lo seria uma grande decepção".
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