Jesús Hellín - Europa Press
MADRID, 31 mar. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou nesta terça-feira que a decisão de proibir o uso das bases americanas de Rota (Cádiz) e Morón (Sevilha) e do espaço aéreo espanhol para operações relacionadas ao ataque contra o Irã “não representa, de forma alguma, uma ruptura do vínculo transatlântico, nem um abandono da responsabilidade da Espanha com a dissuasão e a defesa coletiva”.
Durante sua comparecimento na Comissão Mista (Congresso-Senado) de Segurança Nacional, a pedido do PP para informar sobre as repercussões desta guerra, Robles explicou que, no momento em que o ataque ao Irã teve início, não foram concedidas autorizações de voo sobre essas bases militares no espaço aéreo espanhol correspondente, a fim de “impedir que possam ser utilizadas para os ataques que o Governo considera contrários à ordem jurídica internacional”.
No entanto, ela ressaltou que “as bases continuam funcionando” com a “limitação exclusiva” de que não possam apoiar ações relacionadas à guerra no Irã.
Nesse contexto, Robles defendeu que a Espanha mantém seu compromisso com o vínculo transatlântico e com a OTAN, garantindo que o país é “um aliado responsável, firme e sério que cumpre seus objetivos” e que participa ativamente da defesa coletiva. Assim, citou a “presença firme e comprometida nas instituições e organismos internacionais”, bem como na Aliança Atlântica, onde a Espanha atua “como aliada firme, responsável e solidária”.
De fato, a ministra indicou que comandantes aliados transmitiram “o orgulho, a admiração e o respeito pelo papel da Espanha” nas missões da OTAN, e revisou a presença espanhola em diferentes cenários, tanto no âmbito terrestre quanto aéreo e marítimo.
REJEIÇÃO À “AGRESSÃO UNILATERAL”
Em relação ao conflito com o Irã, Robles iniciou sua intervenção transmitindo suas condolências pelas mortes de três soldados da força de paz indonésios em dois ataques contra a brigada sob comando espanhol no Líbano, onde a Espanha mantém cerca de 700 militares destacados no âmbito da missão das Nações Unidas, em um contexto que ela qualificou de “muito difícil e complicado”.
Em seguida, afirmou que o Governo considera este conflito “uma guerra contrária ao direito internacional” e reiterou que a Espanha “rejeita totalmente uma agressão unilateral, injustificada e sem qualquer base jurídica por parte dos Estados Unidos, de Israel e do Irã”, ao mesmo tempo em que condenou também os ataques do Irã a países vizinhos.
“Todos temos de agir no respeito ao ordenamento jurídico internacional”, assinalou para alertar que, após mais de 32 dias de conflito, observa-se “um cenário de intensificação militar simultânea à existência de conflitos diplomáticos que são muito incipientes”.
A representante indicou que a prioridade do Governo tem sido garantir a segurança das forças espanholas destacadas na região, destacando que apoiou a retirada temporária da missão no Iraque “motivada pela deterioração da situação de segurança”.
Nesse contexto, ela quis destacar a atuação dos militares espanhóis no Iraque, que participaram da evacuação de mais de 1.300 pessoas “em um cenário de evacuação absolutamente perigoso, com voos realizados entre trocas de mísseis”.
A ministra da Defesa alertou também que o conflito tem efeitos “energéticos, econômicos e de segurança” com impacto direto na sociedade espanhola, o que levou o Governo a aprovar um plano de resposta com medidas de proteção.
COMPROMISSO COM A PAZ NO MUNDO
Durante sua comparecimento, a ministra da Defesa destacou que a política de segurança e defesa do Governo se baseia, em primeiro lugar, em “um compromisso firme e inequívoco com a paz no mundo e o respeito à ordem jurídica internacional”, lembrando que a Espanha conta com mais de 4.000 militares destacados em missões no exterior “precisamente para a manutenção da paz”.
Da mesma forma, destacou o apoio “inabalável, firme e unânime” à Ucrânia, ao considerar que ela foi “vítima de uma guerra ilegítima e cruel”, e ressaltou que a Espanha estará “contra qualquer violação da ordem internacional”.
Por fim, Margarita Robles reiterou que a Espanha “deseja firmemente a paz” e que sua posição será “sempre clara” contra “qualquer guerra que viole o direito internacional”, defendendo que as soluções devem ser “diplomáticas” para alcançar “uma paz justa e duradoura”.
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