Matias Chiofalo - Europa Press
O parceiro minoritário defende a retomada da medida e acredita que, apesar do revés, consegue uma vitória política ao expor o PP e o Vox MADRID 28 abr. (EUROPA PRESS) -
O Sumar vê novamente como a bancada da direita no Congresso rejeita um de seus marcos da legislatura, a prorrogação dos aluguéis incluída no decreto de habitação diante da crise causada pela guerra no Irã, e também desperta tensões internas no Executivo, com reprovações do parceiro minoritário pela falta de envolvimento do PSOE para conseguir apoios suficientes na votação desta terça-feira.
Embora diversos setores do Sumar reconheçam que esta derrota representa um golpe para o conjunto do Governo, eles não vão desistir e se unem para tentar trazer de volta a prorrogação dos aluguéis à Câmara.
O ministro dos Direitos Sociais, Pablo Bustinduy, foi categórico ao garantir que levará novamente ao Congresso “quantas vezes forem necessárias” o decreto-lei para prorrogar os contratos de aluguel que nesta terça-feira foram rejeitados pelo PP, Vox e Junts.
De fato, há vozes dentro do grupo parlamentar plurinacional que defendem retomar o decreto e incluir medidas que possam convencer a formação de Carles Puigdemont a mudar para o sim. Concretamente, aceitariam incluir em um novo texto contrapartidas como bonificações fiscais para proprietários, a fim de facilitar essa eventual negociação com os pós-convergentes.
Além disso, a opinião no seio do parceiro minoritário é que conseguiram que a habitação fosse o foco central do debate público e que, apesar do revés no Congresso, obtiveram uma vitória a nível social e político. E argumentam para isso dois fatores: travar a batalha pela habitação que as bases progressistas exigem e expor o lado antisocial do PP e do Vox. “Foi vergonhoso”, exclamou Bustinduy, em clara repreensão ao bloco conservador.
Apesar de o decreto ter sido revogado às vésperas das eleições na Andaluzia, diversos setores da coligação ressaltam que o fato de terem levado adiante essa iniciativa os fortalece perante a sociedade, que vai perceber que eles estão na vanguarda da defesa dos inquilinos. Em contrapartida, acreditam que esse voto contra acabará por minar o PP e também o Vox.
SUMAR SE GABARDA POR BUSTINDUY DIANTE DA “AUSÊNCIA” DO PSOE
Além disso, um dirigente do Sumar afirma também que o PSOE voltou a demonstrar que não quer medidas ambiciosas para conter a especulação e que o Ministério da Habitação voltou a ficar em maus lençóis, deixando a liderança do debate público para a ala minoritária do Governo e para o titular de Direitos Sociais, Pablo Bustinduy.
Já nesta terça-feira, vários membros do grupo parlamentar criticaram a falta de envolvimento do PSOE para tentar convencer Junts ou o PNV a apoiar a prorrogação em troca de concessões, como auxílios fiscais aos proprietários, embora os ministros do Sumar não tenham feito qualquer repreensão ao parceiro minoritário do Executivo.
“Você tem a autoridade, a bússola e o horizonte”, elogiou Bustinduy o deputado do Compromís vinculado ao grupo Sumar, Alberto Ibáñez, que antes havia criticado a secretária de Habitação, Isabel Rodríguez, por nem mesmo saber o que pensava sobre a prorrogação dos aluguéis.
“ONDE ESTÁ A MINISTRA DA HABITAÇÃO?”
A tensão no seio do Governo em relação a este assunto ficou evidente no debate no Congresso, dada a ausência de ministros da ala socialista, em especial a de Isabel Rodríguez, que também tinha de responder a perguntas no Senado, o que provocou mal-estar nas fileiras do Sumar.
O coportavo dos Comuns, Gerardo Pisarello, chamou a atenção para a ausência de Rodríguez e criticou que isso demonstrava que seu Ministério agiu “pouco e tarde” nessa matéria.
A coordenadora geral do Sumar, Lara Hernández, questionou nas redes sociais onde estava a ministra e afirmou que a política “não é uma questão de expectativas frustradas”, mas sim de “quem faz bem (ou não) o seu trabalho”.
Fontes do parceiro minoritário argumentavam que o Sumar demonstrou que se posiciona no Governo para apresentar medidas em favor dos inquilinos e que a bancada da direita ficaria em evidência. De fato, eles rebatiam que são o PP, o Vox e o Junts que lançam sombras de insegurança jurídica por não apoiarem uma medida que é um remendo para a problemática da habitação.
Por sua vez, nesta terça-feira, a segunda vice-presidente, Yolanda Díaz, se expressou em termos semelhantes e apelou à mobilização social caso o decreto fosse derrubado, como acabou ocorrendo.
No entanto, o Sumar e seus aliados sofrem a perda de uma das bandeiras desta legislatura, como aconteceu com o projeto de lei de redução da jornada de trabalho, que nem sequer foi admitido para tramitação devido aos votos contrários do PP, Vox e Junts.
Defendem ainda que, durante o mês de vigência, os pedidos de prorrogação dentro desse período são totalmente válidos e devem ser aplicados, embora também haja vozes que estejam cientes de que pode haver uma controvérsia jurídica a esse respeito.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático