Publicado 21/10/2025 05:34

Restrições de Israel ao trabalho da ONU na Palestina no centro das atenções da CIJ

Archivo - FILED - 23 de janeiro de 2025, Territórios Palestinos, Rafah: Ajuda humanitária da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) cai de um caminhão ao entrar pela passagem de Kerem Shalom, vindo
Abed Rahim Khatib/dpa - Arquivo

MADRID 21 out. (EUROPA PRESS) -

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) tornará pública nesta quarta-feira sua posição sobre as "obrigações" de Israel em relação ao trabalho das agências das Nações Unidas e outras organizações humanitárias nos Territórios Palestinos Ocupados, como resultado de um parecer consultivo solicitado pela Assembleia Geral da ONU e que está ligado à crise humanitária na Faixa de Gaza.

A CIJ, localizada em Haia e um pilar judicial das Nações Unidas, emitirá seu parecer após uma resolução aprovada em dezembro de 2024 pela Assembleia Geral com 137 votos a favor, doze contra - entre eles os de Israel e dos Estados Unidos - e 22 abstenções.

Nela, o órgão no qual estão representados todos os Estados membros da ONU concordou em perguntar à CIJ "quais são as obrigações de Israel, tanto como potência ocupante quanto como membro das Nações Unidas", em relação à presença de organizações de ajuda e com o objetivo de facilitar a ajuda que a população palestina precisa "urgentemente" para sua mera "sobrevivência".

Além disso, o escopo potencial dessas obrigações inclui "apoiar o direito do povo palestino à autodeterminação", uma perspectiva que o governo de Benjamin Netanyahu já deixou claro que não contempla ao rejeitar repetidamente a solução de dois Estados.

Essa não é a primeira vez que a CIJ se pronuncia sobre essa questão, já que em 2024 ela já havia determinado em outra consulta que Israel estava violando sistematicamente o direito internacional com suas aspirações de anexação e o controle exercido sobre os territórios palestinos, o que, entre outras questões, minava o direito à autodeterminação que Netanyahu nega.

AUDIÊNCIAS DE ABRIL

A CIJ, que já descreveu esses territórios como "uma única unidade territorial que compreende a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza", organizou uma série de audiências em abril, nas quais mais de 40 países e organizações, incluindo a Espanha, apresentaram seus pontos de vista sobre a presença de agências como a UNRWA nessas áreas. O juiz Iwasawa Yuji, presidente do tribunal, lerá a decisão final na quarta-feira, às 15:00.

Ao longo de sua história, a CIJ, criada para resolver disputas entre Estados, sempre afirmou que suas decisões são obrigatórias tanto para os países diretamente envolvidos quanto para todos os Estados membros da ONU. Na prática, entretanto, ela não tem como fazer valer suas opiniões ou decisões.

Na verdade, ela já emitiu várias medidas provisórias e obrigatórias em relação a outro procedimento contra Israel iniciado pela África do Sul e alertando sobre a possível violação da Convenção sobre Genocídio por Israel em sua ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Os juízes pediram às autoridades israelenses que evitassem possíveis abusos e facilitassem a entrada de ajuda, mas o governo de Netanyahu sempre descartou a implementação de quaisquer ordens ou recomendações com base no argumento de que se tratava de procedimentos com motivação política, de acordo com os argumentos também usados contra o Tribunal Penal Internacional (ICC), que ordenou a prisão do primeiro-ministro de Israel.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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