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A China nega qualquer relação e pede que Praga não seja "manipulada" pelo "separatismo" taiwanês.
MADRI, 29 jun. (EUROPA PRESS) - Os serviços de inteligência da República Tcheca denunciaram que agentes chineses realizaram missões de acompanhamento à vice-presidente de Taiwan, Hsiao Bi Khim, durante sua visita ao país europeu em março do ano passado, no que eles condenaram como um ato de "intimidação" que poderia ter colocado a vida da líder política em perigo.
A primeira notícia foi divulgada na última quinta-feira, quando o porta-voz da Inteligência Militar tcheca, Jan Pejsek, confirmou à Rádio Praga Internacional que funcionários da embaixada chinesa em Pequim começaram a "seguir fisicamente" a vice-presidente (na época em uma visita não oficial, uma de suas primeiras viagens após assumir o cargo) "a ponto de colocar sua vida em risco".
O risco, de acordo com outras fontes de inteligência, desta vez sob condição de anonimato, deveu-se ao fato de que esses agentes que seguiam a vice-presidente de carro estavam dirigindo de forma "errática" e quase causaram um acidente de trânsito. Quando a polícia parou o carro, um de seus ocupantes apresentou um passaporte diplomático chinês.
A inteligência tcheca condenou essa "violação flagrante das relações diplomáticas" e responsabilizou diretamente os membros do Gabinete Militar da Embaixada da China no país. A China, vale lembrar, vem proclamando sua soberania sobre Taiwan há décadas, enquanto as autoridades da ilha defendem sua autonomia e denunciam a constante pressão de Pequim.
A vice-presidente usou a mídia social para "agradecer às autoridades tchecas pela hospitalidade" e pela segurança oferecida durante sua visita, antes de condenar Pequim por suas ações.
"As atividades ilegais do Partido Comunista da China não me impedirão de expressar os interesses de Taiwan à comunidade internacional", disse ela em uma mensagem em sua conta no X. "Taiwan não será isolada por intimidação", acrescentou a vice-presidente - que já foi a principal representante diplomática da ilha nos EUA - em sua série de mensagens, publicadas no sábado.
A CHINA PEDE QUE PRAGA NÃO SEJA "MANIPULADA" POR TAIWANESES
Em uma resposta contundente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse que o fato de a República Tcheca permitir a visita de figuras "linha-dura" pró-independência de Taiwan, como Hsiao, foi uma "grave violação do princípio de uma só China e dos compromissos políticos da República Tcheca com a China".
Para o porta-voz, visitas como essa representam "interferência flagrante nos assuntos internos da China, sobre os quais a China expressou sua forte insatisfação e oposição", lamentou ele em uma coletiva de imprensa divulgada pelo jornal estatal 'Global Times', onde ele rejeitou categoricamente qualquer ato de espionagem ou intimidação.
"Quero enfatizar que o pessoal diplomático chinês sempre respeitou as leis e os regulamentos do país anfitrião. A China pede às partes relevantes que não sejam provocadas ou manipuladas por forças separatistas a favor da independência de Taiwan e que não criem problemas desnecessários e propaganda maliciosa que prejudique as relações bilaterais", concluiu o porta-voz.
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