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Londres argumenta que tentava cumprir o direito internacional com uma iniciativa que Trump descreveu como uma “bobagem”
LONDRES, 11 abr. (DPA/EP) -
O Reino Unido encerrou, por enquanto, seus planos de ceder as ilhas Chagos, no Oceano Índico, diante da recusa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à iniciativa que previa a entrega do arquipélago ao governo de Maurício em troca da permissão para usá-lo como base militar britânica e americana durante os próximos 99 anos.
O ex-secretário permanente do Ministério das Relações Exteriores, Lord Simon McDonald, confirmou que o governo se viu obrigado a arquivar a iniciativa devido à hostilidade manifesta do presidente americano, que classificou o plano como “um ato de enorme estupidez”.
O governo britânico não abandonou o plano completamente, mas o prazo para aprovar a legislação antes da dissolução do Parlamento nas próximas semanas se esgotou, e uma fonte governamental descreveu a situação como “profundamente frustrante”.
McDonald, o principal responsável pelo Ministério das Relações Exteriores entre 2015 e 2020, defendeu a gestão do governo britânico nesta questão. “O governo não tinha outra opção. O Reino Unido tinha dois objetivos: cumprir o direito internacional e fortalecer a relação com os Estados Unidos”, declarou à BBC.
Vale lembrar que o governo britânico era obrigado a entregar as ilhas à Maurícia, de acordo com um parecer emitido em 2019 pela Corte Internacional de Justiça. Os chagossianos foram obrigados a abandonar o território no centro do Oceano Índico em 1973 para dar lugar à base militar na ilha de Diego Garcia.
Os Estados Unidos haviam aceitado, em princípio, o acordo, mas Trump acabou por expressar abertamente sua rejeição após a deterioração de sua relação com o primeiro-ministro, Keir Starmer, devido às suas posições divergentes sobre a guerra no Irã.
“Mas quando o presidente dos Estados Unidos se mostra abertamente hostil, o governo deve repensar a situação; por isso, este acordo, este tratado, ficará suspenso por enquanto”, indicou.
O ex-ministro lamentou que “os Estados Unidos estejam liderando uma tendência internacional de ignorar o direito internacional, seguindo os passos da ambivalência que a Rússia e a China estão demonstrando”.
“O Reino Unido sempre se definiu como um país que respeita e defende o direito internacional, e acredito que o governo está certo em manter essa política tradicional”.
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