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MADRID 16 jan. (EUROPA PRESS) -
A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, e seu homólogo da Noruega, Espen Barth Eide, confirmaram nesta quinta-feira o apoio de seus respectivos executivos à missão de vigilância da OTAN denominada “Arctic Sentry” (“Sentinela do Ártico”) para reforçar a segurança no setor atlântico do círculo polar ártico, em meio às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre sua pretensa anexação da Groenlândia — território semiautônomo da Dinamarca — ao seu país. “Propomos desenvolver um Centinela Ártico. Já temos um Sentinel Báltico e um Sentinel Oriental, que é a coordenação da OTAN para que os países se unam em torno de zonas específicas, geografia específica, ameaças específicas e zonas específicas da ameaça russa”, afirmou Cooper em entrevista ao jornal inglês “The Daily Mirror” durante a viagem da ministra para um encontro com tropas britânicas e norueguesas em Camp Viking, em Overbygd, no norte da Noruega. Na mesma linha, declarou que "existe um amplo consenso entre os países sobre os riscos crescentes e mutáveis para a segurança no Ártico e sobre a necessidade de responder coletivamente a eles como parte da aliança da OTAN", apontando, em particular, para a Noruega. “Queremos ver a mesma abordagem desenvolvida em toda a OTAN para o Ártico”, sublinhou. “O Ártico é a porta de entrada para que a Frota do Norte da Rússia possa ameaçar o Reino Unido. É a porta que lhes permitiria ameaçar o Reino Unido, a Europa Ocidental e a própria Noruega, mas também os Estados Unidos e o Canadá; é a porta de entrada para que possam ameaçar a segurança transatlântica”, alertou a chefe da diplomacia britânica, que apontou para os navios espiões russos e a frota fantasma de petroleiros supostamente empregada por Moscou para evadir sanções. A própria Cooper anunciou na véspera a participação das Forças Armadas britânicas em operações conjuntas para interceptar os navios. No entanto, é na mesma região que o governo dos Estados Unidos busca ampliar seu território anexando a Groenlândia, que pertence, em regime de semiautonomia, à Dinamarca, também membro da Aliança Atlântica. “Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão”, afirmou Trump. Nesse sentido, quando questionada se o apoio ao “Sentinela Ártico” é um sinal para a Casa Branca, Cooper ressaltou que o Executivo britânico “discorda” de Washington. “Deixamos muito clara nossa posição de que respeitamos a soberania da Groenlândia como parte do Reino da Dinamarca”, destacou a ministra, antes de enfatizar que “a melhor maneira de fortalecer a segurança do Ártico é que os países se unam como parte da aliança da OTAN”. “A ameaça à segurança do Ártico afeta a todos nós. Afecta os Estados Unidos, afecta o Reino Unido, afecta o Canadá e afecta a Noruega. Afeta ambos os lados do Atlântico”, afirmou. Da mesma forma, e apesar da atenção centrada na maior ilha do Atlântico, o ministro das Relações Exteriores da Noruega, também presente em Camp Viking, afirmou que, de acordo com as informações de Oslo e seus aliados, “não há tanta atividade em torno da Groenlândia como às vezes é descrito”. “Quase não há atividade militar da Rússia e da China, por exemplo, na Groenlândia; há muito mais aqui, no nosso norte, e a acompanhamos de perto”, alertou.
Nesse sentido, Eide declarou que, “é claro”, a Noruega está interessada no “Sentinela Ártico”, uma proposta que em Oslo acompanham “com grande interesse”. “Na verdade, é uma ideia antiga da Noruega, não exatamente com esse nome, mas para fortalecer a cooperação no Ártico”, acrescentou.
As declarações dos responsáveis pelas Relações Exteriores britânicas e norueguesas surgiram no contexto do confronto diplomático entre os Estados Unidos e a Dinamarca e a Groenlândia, decorrente da intenção de Washington de se apropriar da ilha, algo em que a administração Trump tem insistido, apesar da rejeição de Nuuk e Copenhague, que nesta quinta-feira classificou a ideia como “impensável”.
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